À Milanesa – parte I

Bom, já falei muito sobre Milão aqui, mas volta e meia recebo e-mails, tweets e mensagens no facebook pedindo mais informações. Já fiz vários amigos por causa disso, e como as perguntas são sempre as mesmas, as mesas dúvidas e receios, resolvi juntar algumas respostas em um único post. Além de ajudar quem está naquela ansiedade absurda pra ir, vai ajudar alguns futuros pais abandonados (alô Rê!) por aí. Assim quem sabe ajudo todo mundo a ficar mais tranquilo!

Quando eu fui lembro que procurei informações da internet, mas não achei muuuita coisa. Também não tinha muitos contatos de lá pra me ajudarem. Eu estava bastante curiosa e ansiosa sim, mas me ative em informações mais importantes tipo “como chegar do aeroporto até o apê” e… documentos necessários. Resolvi meter a cara e a coragem e descobrir tudo do meu jeito. Claro, tive algumas dicas, mas muita coisa fui descobrindo lá na hora ou com algum amigo recém chegado.

A pergunta que não quer calar: não dá medo?

No meu caso, estava tão afim de ir, tão ansiosa que foi tudo muito rápido e quando vi já estava descendo em Malpensa. Era minha primeira viagem internacional grande, sozinha e carregando 2 malas sem meu pai pra me ajudar. Mas pra falar a verdade, o instinto me salvou. Era ou fazer ou fazer, não tinha outra opção. Estava lá, estava sozinha, tinha que me virar. Consegui carregar minhas malas e passar na imigração super tranquila. Aliás, foi a imigração mais susse que eu já vi na vida. Não teve nem UMA pergunta se quer. Se é assim sempre, não sei dizer, mas quando cheguei tive essa mamata.

Cheguei chegando já. Pra ir do aeroporto ao centro é muito fácil. Você pode pegar o trem até a estação Cadorna (11 euros o trecho) ou o ônibus até a estação Centrale (7 euros o trecho ou 12 ida e volta – ou algo próximo desse valor, não lembro mais). Pegamos o ônibus felizes e faceiros. Na centrale encontrei um casal de amigos que havia chegado 1 semana antes, e eles me ajudaram a pegar o metrô e ônibus para a casa onde iria ficar. Foi uma mão na roda de fato, porque foi mais fácil pra comprar o ticket do metrô e etc. Se você já viajou alguma vez pra fora, sabe que pode ou comprar na maquininha ou no guichê. Na primeira vez eu recomendo comprar no guichê, já que você ainda não conhece as zonas, trechos e preços.

Dica importante do metrô: na Centrale tem muito cigano. Tá e dai? Dai que quando eles vem turista chegando de mala e perdido comprando na maquininha, se oferecem pra ajudar e dai roubam seu troco quando ele cai ali embaixo! São uns putos mesmo. Cuidado tá? Compra no guichê assim que chegar pra se garantir.

Já em casa, tive tempo de trocar de roupa, pegar documentos e já sair de novo para ficar legalizada por lá. O lance é ir até a Posta (correios) que fica perto da parada Cordusio, da linha vermelha. Não tenham medo, é válido perguntar onde é, tá? É uma quadra dali.

Lá você fala que precisa do permesso di soggiorno, e eles vão dar um envelope cheeeio de papéis. Leve pra casa, leia e preencha o que lhe condiz. Eu não entendo porque eles dão todos os documentos, se você só vai preencher o de estudante. Enfim, coisa de italiano. Se alguém já tiver feito o processo, peça uma ajudinha. Caso faça errado, vá até lá e pegue outro. Ah, e isso tudo vai custar 30 euros.

Vai precisar levar alguns documentos pra comprovação e tal, mas nada bicho de 7 cabeças. Depois é só levar lá e entregar. (e ser mal atendido, porque na posta é pré-requisito ser estúpido e lento.) Você tem 7 dias pra agilizar isso, não precisa ser na primeira hora como eu fiz. Eu que sou meio neurótica com documentos e afins.

Tive que ver algumas coisinhas ainda no primeiro dia, como um chip de celular., que custa 20 euros apenas. Comprei um da Wind, que pelo menos na época era mais interessante. Você fala de wind pra wind sem pagar. Meu tipo de conta era pré-pago, claro. Você compra 10 euros por mês, igual aqui no Brasil. Tem também o cartão internacional Infostrada, que é ótimo pra ligar pros pais. Se não me engano, ele custa 5 euros para 50 minutos. Quando você compra o cartão, raspa um código. Pro cartão mensal, você coloca o código e dura o mês todo, mas no internacional não. Sempre que for ligar, tem que por esse código e então ligar. Deixe na carteira sempre, se estiver na rua e quiser ligar pra alguém aqui, é uma baba!

De noite quando deitei na cama é que me bateu um desespero. Eu deitei e pensei em tudo que tinha que fazer no dia seguinte – achar a faculdade, fazer matrícula, procurar apartamento – e gelei demais. Pensei “Puta merda, que que eu tô fazendo aqui? Não vou conseguir. Vou voltar!”. Bom, dormi, acordei, corri atrás das coisas, conheci pessoas e passou.

Inclusive no dia seguinte tive que descobrir o metrô e o ônibus sozinha e abaixo de chuva. Fazer o quê né? Comprei o ticket em uma tabacaria (banquinha) e quando pedi pelo bilhete o carinha nem me entendeu, meu italiano era muito com sotaque ainda, muito cru… Mas dai eu meio falei bem alto e ele entendeu. Mas fiquei meio nervosa, haha.

No fim consegui chegar na faculdade e encontrar meu amigo lá. Fomos estudar no Polimi, que fica em Bovisa (vulgo na pqp, porque são 11km do centro, e isso na Europa é algo tipo descomunal). Pra chegar até esta universidade, é simples. Tem o trem e tem ônibus, aí depende de onde estiver indo. O trem, vulgo passante, é o mais rápido e fácil. Ele é uma extensão do metrô que vai para regiões metropolitanas e tal. No mapa, é a linha azul e ele para em algumas estações centrais. A parada é fácil “BOVISA”. De ônibus, dá pra pegar o 89 na estação Centrale. Ele para na frente da estação de trem.

Descendo ali, é só seguir a manada de alunos. A parte de design, arquitetura e moda fica pro lado esquerdo da saída, e a parte de engenharia pro lado direito. As duas sedes ficam cerca de 3 quadras dali em linha reta. Não tem como não achar. Aliás, o campo de Direito, Psicologia e etc, fica no centro, na sede Leonardo.

No caso desta universidade, o processo foi bem simples, até porque fizemos tudo pela faculdade daqui. Os documentos e cartas de recomendação já foram direto no processo internacional, e chegando lá foi só efetivamente se apresentar e se matricular. As matérias também já havíamos escolhido através do site do curso de Design, lendo as ementas e tudo o mais.

Lá, você vai procurar o escritório STUDESK, que fica numa portinha num cantinho, meio escondido. São todos bem simpáticos e na época tinha uma menina que falava milhões de línguas, inclusive português. Ela ajuda muitoooo e fiquei impressionada que ela realmente lembrava de todos os alunos, nome, país, curso, problemas no meio do caminho. Realmente ótimo ter alguém assim pra ajudar e que seja paciente com nós, estrangeiros perdidos.

Quando estiver efetivamente se matriculando nas matérias, eles dão um monte de papéis com toda a grade e horários bem atualizados e códigos para matrícula, tipo esse abaixo. Aí você pode escolher as matérias que quer fazer vendo se batem os horários e dias. A grade é de todo o curso, ou seja, cada folha é 1 ano, totalizando 5 folhas iguais a essa:

Não sei como funciona o processo em outras universidades, inclusive se for por intercâmbio sozinho. Falei de algumas boas escolas neste post aqui. Sempre pesquiso cursos lá, e pelo que vi é tudo meio parecido. Faz matrícula, paga uma fortuna, faz uma entrevista básica e paga o resto da fortuna. Algumas escolas pedem portfolio para seleção, algumas tem bolsa, outras não. Isso sempre vai mudar de curso pra curso e de faculdade para faculdade. O lance é ler com muita atenção tudo e procurar quem já tenha estudado lá.

O post já está bem grande, vou fazer mais 1 falando ainda de: carteirinha de metrô, international week, regiões para morar, faculdades, bicicletas e segurança!

A dopo!

Anna
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24
ago
2 Comentários em:
"À Milanesa – parte I"
  1. Renata Vilhena - 24/08/2011

    Adorei!!! E salve seu blog!! rs bjs

  2. [...] No primeiro falamos dos documentos da faculdade, de como ir do aeroporto ao centro, dos documentos de soggiorno, chip de celular e aquela noção básica de tudo que todo mundo quer saber. [...]