A Fábrica de Schindler

Nesse final de semana eu assisti de novo “A Lista de Schindler” e pensei “como eu nunca escrevi sobre isso por aqui?”. Pois bem, antes tarde do que nunca.

fábrica lista schindler

Apesar de não entender quase nada de História, sempre tive uma curiosidade particular pela Segunda Guerra Mundial, então eu queria muito visitar lugares que fizeram parte desse período e foi isso que me motivou a ir até a Cracóvia. Inclusive, acho que foi isso também que fez eu morrer de amores pela Polônia, pois eu imaginava que quando eu fosse até lá eu traria de volta apenas as impressões de um ambiente carregado de coisas ruins, mas eu acabei conhecendo uma Polônia amigável, bonita e, principalmente, muito receptiva com os turistas.

Eu estava hospedada próximo a praça principal do centro histórico e decidi ir a pé até a fábrica, mas eu recomendo que façam o mesmo apenas se gostarem muito de caminhar. A fábrica fica a uns 4/5 km dali e como era verão, eu sofri bastante com o calor durante a caminhada e pareceu que eram 30km, mas existem várias empresas que levam você até lá com guias e passeios pelo gueto judeu também. Eu decidi ir por conta própria porque eu tinha tempo sobrando, gosto de caminhar e não gosto muito dessas excursões que nos obrigam a cumprir horários. Só uso esse tipo de serviço quando acabo ficando sem opções.

Achar a fábrica foi fácil e nem precisei tirar o mapa do bolso, pois existem várias placas indicando o caminho e assim que você entrar na Rua Lipowa já vai ser fácil de identificar a fachada da fábrica, principalmente para quem já assistiu “A Lista de Schindler”.

fábrica schindler

A antiga fábrica deu espaço a um museu que abriga uma exposição permanente chamada “Kraków under Nazi Occupation 1939-1945″ e mostra aos visitantes toda a história da cidade durante esse período. A entrada no museu custa 15zl e os ingressos tem horários marcados, mas a visita não tem guia. Todo visitante recebe um folheto-guia contando um pouco da história e com mapas para orientação. Na entrada existe um relógio-ponto onde são carimbados símbolos nazistas e no cartão a seguinte descrição: “Cracóvia, 1 de setembro de 1940. Os nazistas celebram o primeiro aniversário do início da guerra em Rynek Glowny, na Cracóvia. Durante o evento, o nome da praça foi oficialmente transformado em Adolf Hitler Platz”.

fábrica schindler

Assim como a maioria dos museus, esse também não pode ser fotografado. Normalmente eu costumo respeitar essas regras, então não tirei nenhuma foto da exposição, mas é uma das exposições mais interessantes que eu já vi. Além de muitas fotografias de época, a exposição foi cuidadosamente montada através de documentos, relatos de testemunhas, documentários e reproduções fieis de locações do cotidiano judeu.

O que eu achei mais incrível na exposição é que ela começa muito bonita e interessante e quando chega no período da guerra, tem um corredor que faz essa transição e nesse corredor existem enormes bandeiras nazistas penduradas formando um caminho semelhante a um labirinto e dá uma sensação muito ruim porque você tá vindo alegre de repente dá de cara com aquele corredor e é obrigado a passar por ali e daí o clima vai pesando e o foco da exposição muda para a guerra.

É incrível como quem montou essa exposição conseguiu transmitir esse sentimento. Eu nunca me senti tão envolvida dentro de um museu. Mais chocante que isso, só mesmo visitando Auschwitz-Birkenau, mas isso é assunto para outro post.

fábrica schindler

Na fachada da antiga fábrica, a placa com a citação do Talmude: “Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro“.

Eu acho muito emocionante essa história e rever o filme depois de conhecer o lugar foi muito mais interessante.

 

Mais informações aqui: http://mhk.pl/

O horário de funcionamento do museu é de terça e domingo das 10 às 18h e nas segundas o museu tem entrada gratuita e funciona das 10h às 14h.

Comentários

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4 Comments on A Fábrica de Schindler

  1. Elias Hans
    4 de outubro de 2012 at 9:24 (5 anos ago)

    Mari, foi exatamente a mesma sensação que tive nesse museu, se é que ele deve ser chamado assim, pois algo tão envolvente e tão bem feito poderia até ganhar outra classificação. Assim como todo filme histórico possui várias contradições com a historia real e fazer de um mercenário um herói de guerra é uma arte que só Spielberg está apto a fazer. Mas como diz o ditado judeu retratado no inicio do museu “quem salva uma vida, salva o mundo inteiro”. Parabéns aos criadores do museu por fazerem disso uma experiência de vida, e a ti por aconselhar e expressar tão bem isso!

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    • Mariana
      Mariana
      4 de outubro de 2012 at 9:34 (5 anos ago)

      Sim, é muito envolvente mesmo e também acho que poderia ganhar outra classificação, pois não é todo museu que tem essa capacidade de fazer um visitante mergulhar em uma história e ter sentimentos como se estivesse vivendo aquilo.

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    • Mariana
      Mariana
      4 de outubro de 2012 at 10:04 (5 anos ago)

      Fica de olho, então que em breve vou postar sobre a visita aos campos de concentração. Aquilo foi terrível e eu até passei mal em um dos lugares lá. Tem um clima muito pesado.

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