Dia da maioridade

Há um tempão atrás, em 2003, eu passei um tempinho no Japão. Depois vou escrever mais sobre as cidades que visitei, as peculiaridades da viagem… agora eu queria falar que um feriado que aconteceu enquanto eu estava lá e cai, tadan, hoje!

(já aviso que todas as minhas fotos do Japão são meio estranhas… meu eu de 15 anos não tinha muito dotes fotograficos e essa primeira leva de cameras digitais não colaboravam. triste!)

Na segunda segunda-feira de janeiro os japoneses comemoram o Seijin no hi, que é o Dia da Maioridade. As pessoas que fazem 20 anos comemoram sua entrada na vida adulta… já pode votar, beber, fumar, aquela coisa toda. Nesse dia são celebrações pelas cidades, festas, discursos, e as garotas desfilam pelas ruas com furisode, que são quimonos de inverno com mangas compridas, muuuuito bonitos, bem elaborados.

Esses quimonos podem chegar a custar 10.000 dolares. Se for só pra alugar pelo dia, 1.000 dolares. Oi? No alugel vem incluso a ajuda pra colocar a roupa que, acreditem, é necessária. São muitas camadas muitas faixas, muitos apertos. Digo isso por experiência, a família que me hospedava insistiu em me vestir com um pra tirar fotos.

(quinze anos gente, dá um desconto!)

Mas a parte maaais legal é que nessa época estavam acontecendo vários festivais de pipa. Eu não tenho certeza se eles eram relacionados. Lembro de me dizerem que a parte dos meninos no festival, mas não achei referência disso em nenhum lugar. E era bem difícil de entender algumas coisas, eles não falavam ingles muito bem. Se algum expert em Japão souber me dizer qual festival de pipar acontece no começo de janeiro, fico grata!

A coisa é que estavam passando várias filmagens nos noticiários sobre o pessoal soltando vários papagaios (há) e nos levaram (os intercambistas) aprender a montar e soltar. Parece programa de índio, mas foi muito legal, nunca tinha feito uma pipa dessas profissas, muito menos conseguido fazer elas voarem.

Então esse foi o mágico Dia da Maioridade para mim, quando soltei minha primeira pipa em frente ao castelo de Himeji. Que coisa, né?

Anna
10
jan
Japão

Há um tempão atrás, lá em 2003, eu fui para o Japão. Foi minha primeira viagem internacional, duas semanas, toda aquela emoção. Era um intercâmbio cultural organizado pelo Positivo (até hoje rola, se não me engano) e, apesar de curta, foi uma experiência muito legal, principalmente a parte de ficar na casa de uma família e vivenciar a rotina deles.

Procurei pela internet, mas não achei muita informação sobre outros intercâmbio do gênero, mas Rotary e outras instituições desse cunho devem ter programas parecidos. O nosso era uma parceria com a prefeitura de Himeji, cidade-irmã de Curitiba, que fica em Hyogo, perto de Osaka e Kyoto. Um grupo de alunos daqui ia para lá e ficava na casa de uma família e, no semestre seguinte, o adolescente anfitrião da familia de lá vinha para cá e ficava na casa de outra família que, seis meses depois etc, etc… Por isso não posso dar muitas dicas sobre o visto, o nosso foi providenciado pelo colégio, bem tranquilo.

A minha família era ótima, muito parecida com a minha daqui em personalidade. Eram duas irmãs e um irmão e os pais. As meninas falavam um pouco de inglês, mas a comunicação geral era um misto de japonês/inglês/português/mímica/desenho. Na viagem inteira encontrei um punhadinho mínimo de gente que falava inglês bem, então vá preparado e com paciência. Em compensação os japoneses costumam ser muito hospitaleiro, cordiais e genuinamente interessados em você, principalmente os jovens. Se você é loiro ou tem olhos claros, vai causar furor entre as adolescentes, certeza. Ah, eles vão te obrigar a fazer paz amor em todas as fotos, é difícil escapar!

É claro que nem todo mundo teve sorte… algumas pessoas ficaram em casas onde as pessoas não falavam nada inglês ou passavam o dia inteiro fora. Se você planeja fazer um intercâmbio desse tipo, para qualquer país que seja, isso é um imprevisto que pode acontecer. Por isso é importante estar confiante com sua agência de viagem, para poder dizer “não gostei desse pessoal” e ser realocado para outra família. No nosso caso tudo deu certo no final, eba!

Curiosidades da vida doméstica:

As casas que visitei não eram minúsculas como esperava, mas eram atoladas de tranqueiras. Para todos os lados, de todos os tipos. Para poupar espaço, as escadas são muito ingrimes, o que me rendeu vários hematomas no joelho.

A mesa da sala era baixinha, então ficavamos sentados no chão, com as pernas cobertas por um pano que fecha as laterais. No centro tem um aquecedor para manter as patinhas quentinhas no inverno absurdo de lá.

Agora que consegui recuperar minhas fotos (por um momento de pânico achei que as tinha perdido em um erro de backup), faço mais uns posts niponicos. O grande ponto turistico da cidade: o Castelo de Himeji, em breve!

Anna
26
dez