Como eu fui parar na Itália

Baseada (e com devida autorização) no post que a Fer escreveu no blog dela contando de como ela foi parar na Europa, achei bacana escrever os meus porquês também. Vou contar hoje porque eu escolhi morar na Itália e porque essa foi a melhor decisão de todas!

Eu sempre quis fazer intercâmbio, sempre quis conhecer a Europa e sempre não tinha dinheiro para nenhuma dessas coisas. Aí que eu seguia a vida pensando quando eu poderia ir pra Europa e, depois de conversar com uma amiga da minha mãe, resolvi fazer um curso de italiano… assim, só pra aprender algo novo (eu sou o tipo de pessoa que sempre está fazendo alguma coisa, não consigo ficar parada) e quem sabe um dia planejar um intercâmbio de um mês para aprimorar a língua.

Engraçado que eu nunca fui aquela que queria loucamente fazer intercâmbio nos EUA como vários amigos meus fizeram. Nunca tive essa coisa com os Estados Unidos e sempre achei que a Europa era mais a minha cara.

De certa forma, a coisa começou a caminhar assim: vontade de ir para a Europa e meio caminho andado com a língua.

Nesse meio tempo todo, eu tinha entrado na faculdade de Design da UFPR, e lá eles tinham convênio apenas com Colônia, na Alemanha. Esse acordo de intercâmbio é super simples, muita gente vai e tal, mas nunca me animei. A começar que eu não era muito afim de viver e estudar na Alemanha, e também a língua não favorecia (nunca quis aprender, meu pai estudou 6 anos e eu sempre achei muito difícil pra minha cabeça).

A primeira grande viagem, a primeira foto de tudo.

Com tudo isso, continuei planejando um intercâmbio de curso de língua até que um colega de classe – que sabia que eu estava estudando italiano – comentou comigo que o coordenador do curso estava tentando abrir um convênio com o Politécnico de Milão (falei de escolas de design aqui). Aliás, o curso de Design daqui tinha que abrir um intercâmbio na Itália, apenas o país do design. Já estava mais do que na hora!

Fiquei louca-desesperada e fui atrás dele para saber melhor. Pra encurtar bem a história, ele estava se enrolando demais, e eu, mesmo sem saber se poderia pagar pela viagem, fui atrás de tudo. Eu liguei no Polimi para saber quais documentos eram necessários, eu redigi cartas e documentos em inglês e italiano para o coordenador assinar e finalmente firmar o tal convênio. Foi loucura, correria total, tudo para conseguirmos ir ainda naquele ano em setembro.

Como eu fui atrás de tudo, como aquele colega de classe também estava super interessado e como eu arrastei meu BFF para essa viagem, a UFPR nem fez seleção para esta 1ª leva de estudantes. O-ba!

Com essa novidade do destino, a Itália ficava cada vez mais perto. Que bom que comecei a estudar italiano antes de tudo isso. Mesmo sem ter uma viagem programada, me dediquei a aprender e consegui me formar ainda antes de ir pra lá. Acreditem, saber a língua local antes de ir é uma mão na roda!

Além do destino ter ajudado com a abertura do intercâmbio e além de eu já falar italiano, sempre tive um carinho especial por aquele país. Boa parte da minha família é descendente de lá, eu adoro massas (vai dizer que isso não é um fator de influência?!), os italianos são lindos e, de repente, um monte de gente conhecida tinha recém voltado ou estava indo pra lá na mesma época.

Então outra coisa boa: conhecer mais 6 brasileiros além de nós 3 que iriam para mesma cidade. Pode parecer bobeira e que o melhor mesmo é ter amigos e contato com italianos (sim, é verdade), mas é um conforto saber que pode contar com outros conhecidos e que se precisar pode falar na sua língua, afinal, nunca sabemos o que pode acontecer.

Então escolhi morar na Itália por:

1. língua;

2. abertura do intercâmbio no país do design;

3. amigos;

4. gostar de massa (Eu provavelmente não faria intercâmbio no Japão pelo simples motivo de que morreria de fome. Então pra mim, esse fator é relevante);

5. carinho pelo país e pelos italianos.

Esses foram 5 pontos essenciais para decidir que lá era meu lugar. De qualquer forma, ainda estávamos vendo a questão financeira da coisa e basicamente tentando convencer meus pais de que eu tinha que ir e o quão legal e importante seria essa viagem, mal sabiam eles que a partir dali eu viraria uma viciada em viagens. O curso era todo gratuito (ufa!), mas aluguel e comida não. Por sorte Milão não era a cidade mais cara para morar. Ok que Colônia, Porto e Lisboa são infinitamente mais baratas, mas se escolhesse Paris ou Londres, gastaria muito muitoooo mais. Neste post aqui falei dos gastos em Milão, e no fim, é basicamente o que gasto em Curitiba. Sendo assim, dava para pensar em viabilizar a viagem!

A primeira viagem depois de chegar em Milão. Destino: Modena. Amigos: conheci ali.

Na época, 2007, as passagens estavam muito baratas. Não foi pelo Melhores Destinos, mas conseguimos pagar menos de R$ 2.000,00 por elas, o que foi uma surpresa, já que eu ainda achava que uma passagem para a Europa custava muito mais.

Foi assim que fui parar na Itália, o universo conspirou para isso. Não é que tive que abrir mão de tudo, nem tomar medidas drásticas e nem ficar anos me planejando. A coisa toda aconteceu em menos de 1 ano, o destino me levou pra lá, e só o que precisei foi insistir um pouco para que desse tudo certo e botar a cara no mundo. A ida pra lá foi minha primeira grande viagem, foi a primeira vez que viajei sozinha, foi a primeira vez que fiquei 12h em um avião, a primeira vez que passei por uma imigração, a primeira vez que sofri o impacto de uma nova cultura e uma nova língua.

Deu medo? Deu. E muito! Quando cheguei lá precisei correr atrás de muitos documentos para legalização, matrícula, chip de celular, carteirinha disso e daquilo, e quando finalmente deitei a noite na cama e pude digerir tudo aquilo… quase desisti. Pensei “Meu deus, o que estou fazendo aqui? Não vou conseguir, tenho que voltar. Amanhã vou voltar, não posso morar sozinha longe de tudo.”

A primeira foto turística na frente do Duomo. (péssimo enquadramento!)

No dia seguinte continuei a saga documentos, conheci pessoas, vi a cidade e comecei a me tranquilizar e com isso o medo foi passando. Não é fácil, não é tudo legal sempre, não é todo mundo que dá certo no intercâmbio… mas é a melhor viagem de todas, sem dúvida!

 

 

Comentários

comments

13 Comments on Como eu fui parar na Itália

  1. caju
    21 de agosto de 2013 at 15:11 (5 anos ago)

    “péssimo enquadramento!”
    DESCULPAE

    Responder
    • Anna
      Anna
      21 de agosto de 2013 at 15:20 (5 anos ago)

      hahahahahah
      #chatiado

      Responder
  2. Bruno
    21 de agosto de 2013 at 19:16 (5 anos ago)

    … e em FEV 2008 eu estava lá te perturbando!
    HAHAHA

    saudades unicórnio!

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  3. Bruna Leão
    21 de agosto de 2013 at 19:42 (5 anos ago)

    Fofinhaaa! Compartilho imensamente com o seu sentimento de satisfação por ter escolhido a Itália para morar! A viagem de intercâmbio é o início de uma nova vida, que nos atiça a querer conhecer novos lugares e culturas sempre mais! Vontade de ir pra lá de novo.. ai ai ai :P

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  4. Fernanda
    21 de agosto de 2013 at 20:15 (5 anos ago)

    Muito legal Anna! Adoro saber como as pessoas foram parar em determinado lugar. E realmente, é a Europa que nos torna esses viciados em viagens. bjs

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  5. Leticia
    18 de setembro de 2013 at 22:28 (5 anos ago)

    Oi Anna, tudo bom?
    Achei sua história muito bacana. Sou estudante de Jornalismo e editora do Jornal Comunicação, que é o Jornal Laboratório da UFPR. Estou desenvolvendo uma matéria a respeito de pessoas que tiveram ótimas experiência em um intercâmbio. Gostaria de saber se você nos daria uma entrevista para comentar sobre o seu.
    Pode me contatar por e-mail ou Facebook, caso tenha interesse, por favor.
    Obrigada!
    http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/

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  6. Thais
    17 de fevereiro de 2014 at 20:46 (5 anos ago)

    Anna curte sua historia,tenho muita vontade de conhecer a Itália.Gostaria de saber se o curso de italiano é difícil,se para conseguir um passaporte para turista é muito burocratico e como nós brasileiras somos tratadas por sermos estrangeiras?Obrigada!

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    • Anna
      Anna
      18 de fevereiro de 2014 at 8:47 (5 anos ago)

      Sobre a dificuldade… é de cada um isso. Tem quem aprenda rápido, quem aprenda mais devagar, quem tem dificuldade com línguas… e também vai do tempo que você dedica a estudar isso. Não é da noite pro dia, são alguns anos de estudo pra falar bem mesmo, assim como inglês e espanhol.
      É uma língua diferente, tem que aprender tudo, todos os verbos, conjugações, pronomes.

      Para saber da passaporte, leia este post: http://wp.me/p1dlxU-47
      Explico tudo lá.
      É fácil, porém pode ser demorado dependendo da procura.

      Beijos,

      Responder
  7. Angelina
    26 de março de 2014 at 9:34 (5 anos ago)

    Bom dia,
    Estou pensando seriamente em ir conhecer a Itália, mas não sei nada da língua, é vou ter que fazer um curso, queria estudar lá… mas nem fiz minha primeira graduação (Design)estou pensando em fazer aqui primeiro… quanto tempo dura esse intercâmbio? To super ansiosa para conhecer lá…..

    Responder
    • Anna
      Anna
      26 de março de 2014 at 9:37 (5 anos ago)

      Oi Angelina.

      Olha eu recomendo você saber pelo menos um pouco de italiano sim.
      Faz um curso de línguas, normal!

      O intercâmbio pode variar, se for estudar língua pode durar 3, 6, 12 meses… faculdade podem ser 6, 12 meses… se for fazer alguma pós podem ser 2 anos.
      isso varia muito dependendo de como você for, o que vai fazer, como você vai.
      No post eu falo que fui pra lá com a faculdade, durou 1 ano e fiz parte da graduação lá.

      Começa a ir atrás e vê o que rola pra você =D

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  8. alda victor
    1 de maio de 2014 at 12:35 (5 anos ago)

    A dorei suas esperienças, quem sabe um dia posso contar a minha. rsssss

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  9. Thuany
    25 de junho de 2014 at 23:37 (4 anos ago)

    Emocionei com esse post! Estou vivendo algo muito parecido! A diferença é que as coisas não foram tãaao naturais… eu já queria ir pra lá, (porque acho lindo o idioma, sonho com a Europa há muito tempo, amo massas hehe, admiro a cultura italiana e detesto inglês- o que elimina quase todas as opções de intercâmbio) então comecei a fazer italiano antes das vagas pra intercâmbio abrirem. Já foi tudo pré-intencionado, haha. Quando abriu, uma série de processos burocráticos da UFPR quase me deixaram de fora por não ter cumprido uma matéria que nem pré-requisito era. Pense o drama de ver o seu sonho indo por água abaixo… mas as coisas deram a volta por cima e em pouco menos de dois meses estarei embarcando para a Itália! <3

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    • Anna
      Anna
      26 de junho de 2014 at 8:05 (4 anos ago)

      Oi Thuany!!

      Bem, pelo menos teve um final feliz e vai pra Itália néééé´!
      Depois me conta como foi, se está curtindo e essas coisas. =D

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