Como são as trilhas de Prudentópolis, pra quem não é aventureiro

Eu não sou uma pessoa toda aventura, trilha e natureza, mas eu me aventuro de vez em quando e me interesso muito em conhecer lugares bonitos. Então se tiver uma trilha no meio, eu encaro numa boa.

Você sempre pode me convidar para passeios legais assim, mas não force me convidando para acampar e tal. É uma aventura moderada aqui tá?

Bem, nós fomos a Prudentópolis durante nossa viagem de carro pelo Paraná, e lá o destino é essencialmente de aventura, natureza e muita trilha (postei aqui um roteiro completo de 3 dias lá). Não tem muita informação na internet sobre lá e muito menos informações reais sobre as trilhas que você vai encontrar. Só ouvia alguns comentários aqui e ali de pessoas que já foram, mas ninguém foi capaz de me contar DE VERDADE VERDADEIRA, como eram e os níveis de cada uma.

prudentópolis

Aliás, isso é bem sério, porque em todas as que fizemos encontramos pessoas responsáveis pelas reservas, mas faltou assessoria em quase todas. Algumas chegam a ser extremamente perigosas, e não recebemos instruções e muito menos guias para acompanhar. Vou falar de todas as trilhas de Prudentópolis que fizemos aqui, e separei em níveis de fácil, moderada e difícil, pra que você já saiba mais sobre o que vai encontrar pela frente.

Recanto Perohouski – FÁCIL

Essa foi a primeira que conhecemos. Nós fomos almoçar lá – contei aqui sobre isso – e depois fomos dar uma volta na propriedade, que tem uma cachoeira pequena em comparação às outras.

O caminho é bem tranquilo, pouca dificuldade. Só é preciso prestar atenção onde pisa pra não escorregar e claro, cuidar onde põe a mão pra não machucar em algum inseto. Mas tirando esses detalhes bem básicos, é uma trilha rápida e tranquila. Em 30 minutos você dá a volta completa na área.

recanto perehouski prudentópolis

Salto Manduri – FÁCIL

O salto Manduri é, sem dúvida, o mais fácil. Ele fica próximo ao Salto Barão do Rio Branco e é super diferente! O salto Manduri tem mais 100m de extensão, e é tipo uma cachoeira enorme na horizontal.

salto manduri prudentópolis

Pra chegar lá é uma baba, é só estacionar no Recanto Rickli, não paga nada para visitar e é só caminhar uns 3 minutos pra chegar na frente desse salto. É bem tranquilo mesmo!

Salto São João – FÁCIL

Outra trilha bem tranquila é a do Salto São João. Na estrada tem um ponto que está em reforma e dá pra ver a cachoeira lá de longe. É super bonito e dá pra ver o tamanhão dela. Da estrada pra esse ponto são poucos passos, é só encostar e entrar na área que mesmo em reforma tem uma abertura lateral para os turistas ainda poderem ver o Salto.

Um pouco mais pra frente dali fica a entrada pra propriedade do Salto. É preciso pagar R$ 10 para entrar, e tem toda uma estrutura com restaurante, banheiro, estacionamento.

A caminhada é tranquilíssima, toda plana e aberta. Coisa de 15 minutos caminhando e poucos pontos que precisa desviar de árvore e tal. Perto das outras, ela não é nada complicada.

são joão prudentópolis

Como falei, em 15 minutos você chega no alto do Salto São João, que tem uma quantidade de água absurda!

Antigamente o acesso a ela era todo aberto, ou seja, dava pra subir nas pedras ali do salto e tal. A coisa é que é SUPER perigoso, porque se escorregar, tchau. Inclusive meu tio quase caiu ali, nessa coisa de tirar uma foto mais ousada! Hoje em dia a área está cercada e não dá pra subir nas pedras da queda. Bom, é uma cerca simples e não tem ninguém monitorando, e é claro que se quiser passar, tem jeito, como uma turista fez recentemente no local. Porém o final dessa história é infeliz.

Quero ser bem veemente com relação a isso: gente, por favor, se tem uma limitação de onde ir, respeite! Não é a toa que está proibido passar. É pro seu próprio bem. Sua vida não deve valer menos do que uma foto chocante nas redes sociais.

Salto Barão do Rio Branco – MODERADA

O salto Barão do Rio Branco é um caso meio que a parte. Não é uma trilha barrenta, fechada e difícil de fazer. Pelo contrário, é a única que tem de verdade uma estrutura para chegar lá embaixo. Ali fica uma pequena centra hidrelétrica, e por conta disso tem toda uma escadaria para chegar na parte debaixo dos 64m do Salto Barão do Rio Branco.

barão do rio branco prudentópolis

“Tá, e por que você colocou aqui que ela é moderada?” Então, ela tem estrutura, mas são cerca de 430 degraus pra descer (bastante íngreme) e claro, 430 pra subir. Ou seja, cansa legal. Não é nada do tipo meudeusvoumorrer, mas não tem como não sentir a panturrilha trabalhando!

Com relação à Perehouski e à Manduri, ela não é tão simples, mas perto da São Francisco, ela é uma baba, hehe. Tudo depende da sua comparação com as outras trilhas.

Salto Sete – MODERADA ++

Outra trilha que fizemos foi a do salto Sete, que também paga-se R$ 10 para entrar e tem uma estrutura boa com estacionamento e banheiros. Pra chegar no topo dela é bem tranquilo, uma micro caminhada de 5 minutos, mas quase não dá pra ver a cachoeira. O bacana é realmente ir lá no pé dela. O trajeto é curto em relação às outras também, são cerca de 20 minutos pra chegar lá embaixo.

A trilha é aberta, caminho está todo indicado e fácil de seguir, porém é uma área bem estreita, uma descida extremamente íngreme e em alguns momentos é preciso “escalar” pequenas pedras e troncos.

Salto Sete prudentópolisUm pedacinho de uma parte ainda que dá pra ficar em pé

Pra você ter uma ideia de quão íngreme, tem um ponto que não tem como descer/subir em pé. Você tem que meio sentar no chão e ir. Pra subir é mais difícil porque é chão de terra então meio que escorrega.

Ela não é difícil, mas também não dá pra dar bobeira por conta da inclinação toda. Quando estávamos saindo de lá vimos um casal com uma criança de colo chegando pra descer. Não dá. É muito complicado descer ali sem ter as mãos livres pra se segurar e apoiar, e como falei, trilha estreita, não dá pra perder equilíbrio ou bobear e pisar em falso. Embaixo são pedras.

Chegando no pé da cachoeira, tem algumas pedras pra subir. Nada muito complicado, só cuidar onde pisa pra evitar pedras soltas e cuidar pra não escorregar. Apoie sempre bem o seu pé antes de se impulsionar.

Lá também dá pra descer fazendo rapel. São 77m de altura, tem muitos instrutores e tudo me pareceu bem seguro. Eu fiquei com medinho de descer, pois eu só fiz rapel 1x na vida (nessa viagem mesmo) e era consideravelmente menor. E já fiquei com as pernas bambas. Não me senti apta pra desder esses 77 metrinhos aí não. Fica pra próxima, haha.

Salto São Sebastião e Mlot – MODERADA ++

Essas cachoeiras são quase únicas no mundo! Tem apenas 2 lugares no mundo tem duas cachoeiras uma na frente da outra, e Prudentópolis é um desses.

Pra entrar na São Sebastião e Mlot também paga-se R$ 10 e tem estrutura. A dona da propriedade é super simpática e atenciosa, explica tudo certinho antes de liberar a entrada nas trilhas.

Antes de tudo vimos a São Sebastião de cima. Linda, imensa! Foi a primeira cachoeira grandona que vimos na viagem. O mirante pra ela fica já do lado do estacionamento, bem tranquilo. Pra ver a Mlot, é preciso fazer uma trilha fácil até o topo da São Sebastião.

são sebastião prudentópolis

Essa trilha é tranquila, mas é preciso usar um pouco de corda para apoio e não escorregar por tudo. Como é tudo bem rústico, não tem trilha com piso de madeira, sabe como? É terra mesmo, barro, planta por tudo. É mata fechada e só aberta o mínimo pra passar uma pessoa. Essa parte não tem sofrência, é leve e em cerca de 20 minutos você já chega e pode ver a Mlot do outro lado. Lindo, super diferente e a foto não mostra tudo o que é essa cachoeira.

mlot prudentópolisAchei a Mlot super diferente, parece uma árvore de Natal, bem colada nas pedras. É linda!

Aí tem a opção de descer no meio delas. São 600m de descida. Nós começamos a fazer e era consideravelmente mais tensa. Antigamente era quase um rapel pra descer lá, só com cordas e tal, mas os donos abriram recentemente uma trilha “mais fácil”.

A coisa é que é bem íngreme também, e a mata bem fechada. Com isso o chão fica muito escorregadio, e é preciso ainda se apoiar e utilizar as cordas laterais pra não cair. Com certeza você vai escorregar, cair e se sujar, é inevitável.

Nós não conseguimos chegar ao final porque começou a chover. O chão já estava molhado do dia anterior e escorregadio, se chovesse muito, não conseguiríamos subir, porque ficaria inviável de andar ali. Voltamos na metade do caminho.

Bom que pelo menos vimos as duas cachoeiras de cima, que é a vista mais bonita e completa né, é onde vemos todo o tamanho dela.

Salto São Francisco – DIFÍCIL +++

Agora essa trilha, ahhh essa trilha. Gente que sofrência! Pra chegar já é sofrido, porque apesar de ficar a apenas 45km da cidade, a subida é absurda, a estrada estreita, chão com muitas pedras e a gente vai a tipo 5km/h. Demoramos 2h30 só pra chegar na reserva.

Lá tem estacionamento, banheiro e lanchonete, e não é preciso pagar pra entrar. Quando chegamos a ideia era ver só do mirante, pois a dona da propriedade da São Sebastião contou que essa trilha levava 3h pra descer e 3h pra subir. Aí eu já tinha desistido de descer.

Lá no lugar vimos do mirante e é a coisa mais maravilhosa de todas, porque é enorme, a maior de Prudentópolis com seus 196m de altura!

são francisco prudentópolis

Ai conversando com o dono da lanchonete, ele falou que o caminho era tranquilo, 1h e pouco cada trecho (são 4km cada trecho, mas acho que é mais, porque a trilha do Rio do Boi são 8 + 8km e é bem mais tranquila), e que chegando lá na beira do rio precisaríamos seguir pela margem, passando por algumas pedrinhas e já chegava. Eu não queria ir, mas ele e meu namorado meio que me “convenceram” e acabamos indo.

QUE-ERRO! Que erro meu deus. Se arrependimento matasse, eu teria morrido no começo da trilha já. Muitos problemas com a explicação desse senhor totalmente sem noção de coisa alguma!

Primeiro: essa trilha foi aberta por turistas e um ou outro explorador. Não foi aberta de verdade, não tem um caminho realmente definido, ou seja, a mata é SUPER fechada. Tem momentos que não dá nem pra ver onde você está pisando – e nessa eu já surtando com todos os bichos que tinham ali e iam me atacar – não tem nenhuma marcação de que você está no caminho certo. Pra errar o caminho é muito fácil e não tem nenhum tipo de indicação alguma pra se basear. É pura mata mesmo.

são francisco prudentópolis subidaMorrendo um pouquinho pra voltar – essa parte já é a parte final e mais aberta

Segundo: chegamos no rio e fomos seguir pelas “pedrinhas”. Eu só posso imaginar que o senhor que deu a informação de pedrinhas nunca desceu lá, porque é tudo menos “inha”. São pedras imensas, troncos, galhos, caminhos estreitos. É realmente uma escalada de pedras em muitos pontos. Extremamente perigoso. E eu chorando já desde que cheguei no rio. Ali tem algumas indicações de marcação de caminho com cordas e fitas amarradas nas árvores, mas cara, nada de sinalização de verdade e boa.

são francisco pedras prudentópolisEssas eram as “algumas pedrinhas assim que você passa por cima”

Resumo do nosso passeio: não deu pra mim. Eu não aguentava mais, estávamos sozinhos nisso, encontramos algumas pessoas e todas sempre falavam “ah falta mais 10 minutos só”, e davam 10 minutos e nada e outra pessoa falava mais 10, e mais 20 e mais 40… e não chegava NUNCA! Estava super cansada e com muito medo dessa trilha. Voltamos.

Na volta percebemos o quão íngreme era a trilha também. Quase vertical! Na descida não percebemos, mas a subida foi uma sofrência. Achei que não iria conseguir mesmo.

Quando voltamos pro hotel, contamos pro pessoal do Elite (hotel ótimo que ficamos) sobre o dia e eles ficaram chocados que as informações dadas eram de que era uma trilha susse e nos repreenderam por não termos pego um guia. A coisa é que se alguém tivesse me avisado de verdade sobre essa trilha, logicamente iríamos com um guia, mas não foi o que aconteceu.

É muito complicado quando os moradores locais não tem conhecimento e instrução adequada pra passar. Essa pessoa certamente nunca fez a trilha e não tem como ele me instruir com relação a ela. Esses passeios naturais podem ser super perigosos e os atendentes/vendedores/donos PRECISAM saber falar e avisar os turistas. Entram crianças ali, pessoas com problemas de saúde… e aí, acontece alguma coisa e fim. Se cair ali nessas pedras, pode acabar a história toda.

Minha recomendação fortíssima pra descer o Salto São Francisco: CONTRATE UM GUIA e tenha consciência da sua condição física.

      rodapé destinorodapé hotelrodapé seguro

DICAS IMPORTANTES:

1. Lembre de ler esse post antes de seguir em qualquer trilha dessas;

2. Avise o hotel onde você está no dia. Pois como não tem controle algum de quem entra e quem sai, se você não voltar no fim do dia, o hotel vai pedir o socorro e ir atrás de você;

3. Contrate um guia para as trilhas difíceis e até moderadas. É mais seguro e ele conhece a área pra te ajudar, indicar ou socorrer se necessário;

4. Tenha consciência da sua condição física. As trilhas não são leves tipo um passeio no parque. Elas são puxadas, exigem muito do corpo. Se você é totalmente sedentário e não está acostumado com exercícios físicos, não aconselho fazer as trilhas difíceis. Não vai dar boa;

5. Se você tem problema de coração, também não indico as trilhas moderadas e difíceis. Fique nos mirantes apenas, é tão lindo quanto e você se mantém seguro;

6. Não acho que seja um destino muito bom para crianças. Não que não dê, mas eu provavelmente não levaria meus filhos até eles terem a idade que  consigam se defender, equilibrar e fazer as coisas sozinhos. Não tem como a gente dar atenção pra terceiros E pra gente nessas trilhas complicadas. Acaba ficando inseguro pra todos;

7. Não subestime a natureza. Nunca! Começou a chover, volte. Está com medo, volte. Foi picado por algum bicho estranho, volte;

8. Respeite as demarcações de acesso. Se não pode passar daquele ponto, é porque tem um motivo: sua segurança. Não pode, fim de papo;

9. Pelo amor de Deus, não jogue lixo nas propriedades. =D

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