Dirigindo na montanha: Valle Nevado

Há muitos anos eu passei pela Serra do Rio do Rastro em Santa Catarina e achei a coisa mais linda do mundo. Infelizmente eu não tinha carteira de motorista na época, mas fiquei tão encantada com aquilo que eu sabia que quando eu já tivesse um pouco mais de experiência na estrada, o próximo passo seria dirigir na montanha.

Por muitos anos tentei planejar uma viagem de carro até o Chile para cruzar a Cordilheira, mas como ainda não foi possível realizar esse sonho, resolvi sentir o gostinho dessa aventura nas redondezas de Santiago mesmo. A primeira estrada de montanha que peguei foi em San Jose de Maipo, que já contei aqui, mas eu queria um pouquinho mais, eu queria aquelas curvas de 180° que durante muitos anos fiquei admirando pelo Google Earth.

dirigindo na montanha valle nevado

De Santiago até o Valle Nevado são 60km, a viagem dura cerca de 1h30 e você vai dos 930m aos 3.000m de altitude em 60 curvas. É subir uma escada de carro, basicamente. Obviamente essa primeira experiência foi no verão, mas espero muito que um dia eu tenha coragem de colocar corrente nos pneus e refazer o trajeto com neve.

valle nevado

Enquanto tomava o café da manhã no hotel bateu um friozinho na barriga e pensei em ir para Viña e Valparaíso ao invés do Valle Nevado, mas não fazia sentido chegar até ali e desistir de fazer o que eu tanto queria. Pedi para que minha mãe e tia tentassem controlar ao máximo qualquer reação do tipo “meu deus, tem uma pirambeira aqui do lado”, “não passam dois carros aqui!”, “você vai subir isso mesmo?!” e elas se comportaram muito bem. Não existe coisa pior para quem está dirigindo do que ouvir coisas que podem te deixar nervoso.

Tentei não pensar em nada e simplesmente ir. Logo que saímos da cidade e começamos a entrar na montanha, as primeiras placas já alertavam: 40km/h, Peligro: zona de curvas, Precaucion: Camino com hielo, Precaucion: preferencia vehiculos que suben, Recuerde enceder luces e por aí vai… Bem no começo da estrada também tem um memorial com as fotos de várias pessoas que morreram em um acidente e isso assusta um pouco, mas, na verdade, a teoria assusta mais do que a prática. O caminho todo é muito lindo e logo no começo da viagem já é possível visualizar os picos nevados.

Uma das coisas mais legais é perceber a vegetação mudando ao longo do caminho. No começo tem muitas árvores, no meio do caminho uma vegetação mais rasteira e muitos cactus e lá no alto da montanha, apenas as rochas. Infelizmente, dirigindo não é possível ver todos os detalhes da paisagem, então eu fiz umas 4 ou 5 paradas no caminho, o que fez com que a minha viagem durasse cerca de 2 horas.

Dirigir no caminho para o Valle Nevado não é difícil, mas é preciso bastante atenção. A estrada é estreita e passam tranquilamente dois carros, mas na hora de disputar o espaço com um caminhão, a coisa fica um pouquinho mais difícil. Na subida tive que ir grande parte do trajeto atrás de um caminhão, pois se fazer ultrapassagem já é complicado em uma região cheia de curvas assim, imagina então fazer ultrapassagem de um caminhão com pouco espaço. Dava um pouco de medo quando o caminhão ia fazer as curvas, pois ele tinha que manobrar 2 ou 3 vezes no meio da curva e eu ficava com medo que ele voltasse pra trás.

Como dá para ver na foto ali, todas as curvas são numeradas, então é possível ter uma ideia de quanto ainda falta do seu trajeto.

Muita gente sobe a montanha de bike (aliás, as bikes foram as únicas que eu ultrapassei na viagem inteira. hehe). Admirei o preparo físico do pessoal, eu teria morrido na primeira curva de cansaço e de medo de ser encurralada por algum carro. Fiquei com medo de ver aquelas vans que levam os turistas, pois eles correm demais e fazem ultrapassagens praticamente sem visão. Tudo bem que eles já estão acostumados e devem fazer isso umas 5 vezes por dia, mas geralmente é o excesso de confiança que causa os acidentes. Sorte que no inverno a estrada não é mão dupla: os veículos apenas sobem de manhã e descem no final da tarde, o que dá mais segurança para todos.

Em alguns trechos é possível ver a “escada” por onde vamos passar e as curvas por onde já passamos, mas como não dá para parar, nós tiramos algumas fotos com o carro em movimento mesmo, mas já serve para ter uma ideia de como é.

dirigindo na montanha

dirigindo na montanha valle nevado

O primeiro mirante onde todos param fica a 1.800m de altitude e eu sei que vai ficar redundante eu repetir o quanto tudo é lindo, mas é que as paisagens são realmente de tirar o fôlego e a sensação de estar ali é muito boa.

dirigindo na montanha

Um pouco mais adiante tem mais um mirante, mas como esse não é a “parada oficial”, só quem vai de carro para ali. Essa é outra vantagem de fazer o trajeto por conta própria. Eu não queria subir de van porque a grande sensação para mim não era o Valle Nevado, mas sim o caminho, a estrada e as paisagens até chegar lá.

caminho valle nevado

O caminho das 60 curvas é divido em dois trechos: o primeiro com 28, se não me engano e o segundo com 32. Depois do primeiro trecho, a paisagem muda bastante. Vem uma descida e uma região um pouco mais plana entre as montanhas e a estrada é bem melhor. Esse é, de fato, o caminho para o Valle Nevado, que foi construído para levar os turistas até a estação de esqui.

Mas o fato do asfalto ser melhor e a pista mais larga, não tira o frio na barriga quando nos deparamos com curvas sem mureta de proteção. Parece que estamos indo direto para o céu. Hahaha.

Sim, depois da curva na direção do céu é uma pirambeira!

No caminho de volta, as paisagens mudam bastante e em alguns trechos é possível ver melhor as curvas. Como voltei num horário que quase não tinha movimento, até consegui parar o carro no meio da estrada e tirar uma foto de uma das curvas para mostrar para vocês.

Para quem quiser se aventurar a dirigir na montanha, eu aconselho muito a ir. Basta prestar bastante atenção, curtir o passeio sem pressa e não se deixar levar pelo excesso de confiança. Eu mesma até desliguei o som na subida, pois como não passam dois carros por vez nas curvas e quase todas elas não tem visão, é bom ouvir se está vindo algum veículo no outro sentido antes de entrar na curva.

Ah! E descer a montanha a mais difícil do que subir. Fiquei bem mais tensa na descida.

Lógico que eu tinha que ter registrado uma foto dirigindo. Igual criança com o Mickey na Disney 😛

Para finalizar, posso afirmar com segurança que essa foi a melhor experiência que eu já tive em uma viagem (pelo menos até hoje).

valle nevado

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