Em Praga, perca-se!

Se alguém me perguntar o que eu mais gostei de fazer em Praga, não penso duas vezes antes de responder que adorei me perder na capital da República Tcheca. Algumas vezes propositalmente, outras não.

Para começar, vamos dar uma olhada na (des)organização do sistema viário da cidade.

Achou confuso? No local é mais ainda, mas isso não é “privilégio” somente de Praga, não. Várias cidades europeias são assim, mas, para mim, em Praga foi diferente porque eu me perdi além do normal, além do esperado. Eu me perdi desde o momento em que cheguei na cidade até o momento em que fui embora.

Fui a Praga com meus amigos de Viena que falaram “deixa que eu organizo tudo”, então eu não fiz absolutamente nada além de colocar meu guia na mala sem nem abri-lo. Cada um pegou um ônibus num horário diferente e combinamos que até uma determinada hora todos deveriam estar na maior lanchonete que tivesse na rodoviária para nos encontrarmos. Nossos celulares não funcionavam na República Tcheca, então foi assim que improvisamos. Como todos eram europeus e eu sou neurótica com pontualidade, deu tudo certo, mas a menina que fez as reservas no albergue simplesmente esqueceu de levar o mapa e só tinha o endereço do hostel. No meu guia só tinha um mapa da região central, então sugeri que pegássemos um táxi, já que era tarde e estava tudo fechado, mas ninguém quis. Então saímos perambulando pelas ruas até achar, aleatoriamente, uma rua que estivesse no mapa do meu guia para seguirmos até o hostel. Fiquei extremamente mal humorada por conta disso, já que muita gente tinha me falado que Praga era uma cidade perigosa, mas acabou dando certo.

Deixamos as malas no albergue e resolvemos explorar a vida noturna da cidade. Visitamos vários bares e baladas e quando estávamos voltando para o albergue, algumas pessoas estavam mais cansadas e caminhavam mais devagar. Cheguei e fiquei esperando e esperando e esperando a nada da menina que estava com a chave chegar. Bom, ela estava perdida e tivemos que voltar às ruas para procurá-la.

É, essa viagem foi cheia de pequenos episódios #fail.

No dia seguinte, o esquema foi se perder propositalmente.

Abandonar o mapa e vagar pelas ruas. Como eu adoro fazer isso! E acho que Praga é ótima porque as ruas são tão cheias de curvinhas que te guiam sempre para lugares diferentes. Tanto que se você quiser voltar na rua x, provavelmente tem que voltar pelo mesmo caminho que veio ou seguir o mapa, já que quase não existem ruas paralelas e não adianta pensar “acho que essa aqui vai sair lá” porque não, não sai.

Praga é uma cidade com bastante “congestionamento” de pedestres. Então o bacana é ir um pouco mais longe, sair daquele circuito turístico e dar de cara com ruas vazias assim.

Se elas não estiverem no seu mapa, não tem problema. Qualquer coisa é só perguntar pra alguém de qual lado fica o rio que você já se acha de novo. Não tem erro.

Na nossa segunda tentativa de explorar a vida noturna da cidade, dessa vez optamos pelo táxi, então saímos e voltamos tranquilamente. Porém, tivemos mais um momento #fail e de tensão. Quando chegamos ao hostel, percebemos que estava faltando uma pessoa do nosso grupo. Depois de muito discutir a respeito do que fazer, algumas pessoas resolveram voltar para o lugar onde estávamos e ver se a menina estava lá. Eu não fui porque eu pensei que provavelmente ela devia ter ido embora antes com alguém, já que fomos quase os últimos a sair do lugar e se ela estivesse lá, teríamos visto. O pessoal foi até o local e não a encontrou, então resolveram comunicar a polícia sobre o desaparecimento da menina!! Lógico que a polícia não se importou, já que estava falando com vários estrangeiros bêbados procurando por uma menina que “desapareceu” em uma balada em Praga. No dia seguinte, a menina apareceu no albergue dizendo que tinha ido embora com outras amigas que encontrou lá porque não lembrava onde era o nosso albergue. Todo mundo disse que ficou preocupado e ela respondeu “não preciso que se preocupem comigo, eu sei me cuidar”. Fiquei com vontade de enforcar a menina, mas daí lembrei que pelo menos eu não saí pela cidade procurando por ela, como os outros fizeram.

Para finalizar, quando estava a caminho da rodoviária para voltar a Viena, parei em uma loja de souvenir e gastei bastante tempo lá. Quando vi, já estava atrasada, saí da loja super rápido e… no sentido errado! Caminhei, caminhei e, quando notei, estava na região central de novo e tive que pegar um táxi até a rodoviária que era praticamente ao lado da loja que eu havia parado. #fail

Depois conversei com outros intercambistas que tiveram experiências semelhantes e descobri que quase todo mundo se perde em Praga, seja propositalmente, por perder o mapa ou por beber demais e não lembrar o caminho de volta mesmo. De maneira geral, depois que tudo se resolve, acaba sendo divertido e virando história para contar, o que acaba sempre sendo interessante e servindo como experiência.

E você, já se perdeu em Praga?

Comentários

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2 Comments on Em Praga, perca-se!

  1. Elias Hans
    23 de agosto de 2012 at 5:39 (5 anos ago)

    Não tem como não se perder em Praga, mas assim como Veneza, é uma aventura boa se perder por lá. Só fico imagino seu stress com esses momentos #fail hahaha mas como disseste, depois que passa vira história e, como meu pai diz, um homem sem história é um homem que não mereceu ter vivido!

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    • Mariana
      Mariana
      23 de agosto de 2012 at 7:58 (5 anos ago)

      Não conheço Veneza ainda, mas já que é assim, também vou adorar me perder por lá.
      E as histórias para contar sempre acabam sendo uma das partes mais divertidas de uma viagem. hehehehe

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