Festas: Día de los Muertos

Se tem uma festa que eu queria muito – MUITO – presenciar, é esta lá no México. Mais do que tudo, acho essas caveiras típicas as coisas mais lindas do planeta. Ou do universo.

Quando fiquei uns dias no México, tinha muita coisinha e coisona pra comprar dessas caveiras, desde esculturas grandes, chaveiros, almofadas, tudo de tudo mesmo. Queria ter trazido muitas, mas só trouxe uma que encontrei no último dia na Cidade do México. Só encontrei no último dia porque queria uma decente, bem linda, que não fosse tão cara (sim, as decentes são meio $$$$$) e que conquistasse meu ♥. Por sorte encontrei. Tive que trazer embrulhada em um monte de jornal e papel higiênico, que era o que o vendedor tinha pra oferecer e me ajudar. Obviamente trouxe comigo no avião, com o maior cuidado possível. Se querem saber, ela sobreviveu à viagem!

Mas voltando ao tema do post, vamos falar do festerê do dia de hoje, que também é celebrado aqui só que um pouco diferente.

Lá no México a festa é de origem indígena e honra os mortos, como todos sabemos já. A festa deles começa logo no dia 1º e todo o evento é declarado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Essa celebração existe no país desde antes da colonização dos espanhóis e até os astecas, maias, purépechas e outros povos já festejavam. Na real só quero dizer que esses rituais acontecem há 3 mil anos.

Uma curiosidade meio esquisita? Na era pré-hispânica era comum conservar os crânios como troféus, e mostrá-los durante os rituais que celebravam a morte e o renascimento.

O festival que se tornou o Dia dos Mortos era comemorado no 9º mês do calendário solar asteca, por volta do início de agosto, e era celebrado por um mês completo. As festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl (não consigo pronunciar), conhecida como a “Dama da Morte” e esposa de Mictlantecuhtli (não consigo pronunciar isso também), senhor do reino dos mortos. As festividades eram dedicadas às crianças e aos parentes falecidos.

É uma das maiores e melhores festas mexicanas, super animadas… até porque os mortos vem visitar e tal, dizem. E não é porque é festa dos mortos que não tem comida típica e aquela comilança básica. Tem inclusive opção para crianças, as caveirinhas de açúcar.

Para os antigos mexicanos, a morte não tinha as mesmas conotações da religião católica, na qual as idéias de inferno e paraíso servem para castigar ou premiar. Pelo contrário, eles acreditavam que os caminhos destinados às almas dos mortos era definido pelo tipo de morte que tiveram, e não pelo seu comportamento em vida.

Desta forma, as direções que os mortos poderiam tomar são:

O Tlalocan – o paraíso de Tláloc, deus da chuva. A este lugar iam aqueles que morriam em situações relacionadas com água: os afogados, os que morriam atingidos por raios, os que morriam por doenças como a gota ou hidropsia, sarna ou pústula, bem como as crianças sacrificadas ao deus. O Tlalocan era um lugar de descanso e abundância. Embora os mortos fossem geralmente cremados, os predestinados ao Tlalocan eram enterrados, como as sementes, para germinar.

O Omeyocan – paraíso do sol, governado por Huitzilopochtli (não consegui pronunciar de novo), o deus da guerra. Neste lugar chegavam apenas os mortos em combate, os escravos que eram sacrificados e as mulheres que morriam no parto. Estas mulheres eram comparadas a guerreiros, que já haviam combatido uma grande batalha – a de dar à luz – e as enterravam no pátio do palácio, para que pudessem acompanhar o sol desde o nascente até o poente. Sua morte provocava tristeza e alegria, já que, graças à sua coragem, o sol as levava como companheiras. Dentro da tradição centro-americana, o fato de habitar o Omeyocan era uma honra.

O Omeyocan era um lugar de eterno gozo, no qual se celebrava o sol acompanhado com música, cantos e bailes. Os mortos que iam ao Omeyocan, depois de quatro anos, voltavam ao mundo, encarnados em aves de penas coloridas e bonitas.

Morrer na guerra era considerado como a melhor das mortes pelos astecas. Por incrível que pareça, dentro da morte havia um sentimento de esperança, pois ela oferecia a possibilidade de acompanhar o sol no seu nascimento diário e voltar encarnado em pássaro.

O Mictlan - destinado a quem morria de morte natural. Este lugar era habitado por Mictlantecuhtli e Mictecacíhuatl, senhor e senhora da morte. Era um lugar muito escuro, sem janelas, de onde era impossível sair. Quer dizer que quem morria na boa, normalzinho… ficava confinado no escuro? Diferenciado… muito diferenciado…

O caminho para o Mictlan era tortuoso e difícil, pois para lá chegar, as almas deviam caminhar por diferentes lugares durante quatro anos. Ao longo deste tempo, as almas chegavam ao Chignahuamictlán (comento?), onde descansavam ou desapareciam as almas dos mortos. Para percorrer este caminho, o difunto era enterrado com um cão, o qual o ajudaria a cruzar um rio e chegar perante Mictlantecuhtli, a quem deveria entregar, como oferenda, trouxas de gravetos e jarras de perfume, algodão, fios coloridos e cobertores. Aqueles que iam ai Mictlan recebiam quatro flechas e quatro trouxas de fios de algodão.

Por sua vez, as crianças mortas tinham um lugar especial, chamado Chichihuacuauhco, onde se encontrava uma árvore da qual os ramos pingavam leite para as alimentar. As crianças que chegavam lá voltariam à Terra quando sua raça fosse destruída. Desta forma, da morte nasceria a vida.

As datas em honra aos mortos eram muito importantes, tanto que eles dedicavam dois meses para isso.

Características Atuais

Nas festas encontra-se aspectos tanto dos antigos habitantes, como também, características modernas, adquiridas do contato com a cultura dos colonizadores. Bom era de se imaginar que o povo colonizador introduziu um monte de coisas à festa. De qualquer forma, uma atualização moderna era meio necessária, he.

Alguns símbolos da festa – além das caveiras em todos os lugares -:

Caveiras de doce. Têm escritos os nomes dos defuntos (ou em alguns casos de pessoas vivas, em forma de brincadeira que não ofende em particular) na frente. São consumidas por parentes e amigos.
Pan de muerto. Prato especial do Dia dos Mortos. É um pão doce enfeitado com diferentes figuras, desde simples formas redondas até crânios, adornados com figuras do mesmo pão em forma de osso polvilhado com açúcar.
Flores. Durante o período de 1 a 2 de novembro as famílias normalmente limpam e decoram as tumbas com coloridas coroas de rosas, girassóis, entre outras, mas principalmente de margaridas, pois acredita-se atrair e guiar as almas dos mortos. Quase todos os sepulcros são visitados.
A oferenda e as visitas. Acredita-se que as almas das crianças regressam de visita no dia 1º de novembro, e as almas dos adultos no dia 2. No caso de não poder visitar a tumba, seja porque a tumba não exista, ou a família esteja muito longe para visitá-la, também são feitos altares nas casas, onde se põe as ofertas, que podem ser pratos de comida, o pan de muerto, jarras de água,mezcal, tequila, pulque ou atole. cigarros e inclusive brinquedos para as almas das crianças. Tudo isto se coloca junto com retratos dos defuntos rodeados de velas.

Alguém quer ir comigo qualquer dia? Deve ser muito legal participar dessa festividade. E quem for vai ter que ir maquiado comigo, senão não tem graça.

 

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