Não existe amor em SP

Não existe amor em SP

Os bares estão cheios de almas tão vazias

A ganância vibra, a vaidade excita

Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel

Aqui ninguém vai pro céu

Vocês conhecem essa música do Criolo? Acho que ela resume um pouco do meu sentimento por São Paulo.

Do amor ao ódio, queria contar para vocês um pouco da minha relação com essa cidade.

Tudo começou quando eu decidi que São Paulo era minha cidade preferida e que eu gostaria de morar lá sem ao menos conhecê-la. Tomei essa decisão levando em conta apenas um fator: música. São Paulo sempre sediou os melhores shows no Brasil e, inocentemente, eu achei que isso bastava para mim, até que veio o meu primeiro show e, com ele, meu primeiro congestionamento em São Paulo em uma sexta-feira no final da tarde e com chuva. Foram 4 horas para fazer um trajeto que na volta fizemos em 15 minutos. Tudo bem, eu estava preparada para isso, pois eu sabia que o trânsito era complicado e isso não ia estragar a minha paixão por São Paulo. Abriram minha mochila e levaram meu celular e uma boa parte do meu dinheiro, mas isso poderia ter acontecido em Curitiba também e eu não queria culpar São Paulo pela minha estupidez de levar mochila em show.

Desde a minha primeira vez em São Paulo, há 9 anos, contabilizei mais de 20 shows, um desmaio, 2 furtos, uma perseguição na rua e cerca de 30h desperdiçadas em congestionamento, mas também conheci pessoas de várias partes do Brasil e com uma boa parte delas ainda mantenho contato.

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Mas nem só de música vive São Paulo. Em uma dessas viagens aproveitei para conhecer um pouco da cidade, mas preciso confessar que não fiquei nem um pouco encantada. E olha que turismo em cidade é o meu tipo preferido.

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Acho que todo o transtorno faz perder um pouco da magia que envolve os passeios turísticos, especialmente se você pegar um metrô que passe pela Estação Sé. Aquela estação é o inferno na terra.

E sobre compras, então? Quem nunca foi enganado na 25 de Março que atire a primeira pedra. Uma vez tentaram me vender uma cópia pirata de um programa que nem existia! Comentei com a minha mãe “bem que eu podia achar o MaxiCad aqui, né. Haha”, daí um cara veio correndo atrás de mim falando “olha aqui o MaxiCorel que você precisa”. E ainda ficou me xingando porque eu não comprei.

Meu ponto fraco mesmo por São Paulo é a gastronomia. Acho que a gastronomia é que não me faz desistir de São Paulo. Agora eu prometi para mim que toda vez que eu tiver que ir a São Paulo por algum motivo, devo compensar o transtorno todo comendo em algum restaurante legal. Tem um ótimo que conheci semana retrasada quando estive lá para o show da Madonna e logo vou contar aqui para vocês.

Mas sabe, minha principal decepção com São Paulo está nas pessoas. Não sei se vocês já perceberam, mas na maioria dos lugares o atendimento é péssimo e as pessoas estão sempre de mau humor e estressadas. Ninguém se importa com nada e todo mundo vive no automático. Não existe amor em SP.

Taxistas, recepcionistas, garçons. Ninguém se importa com o turista, com a pessoa. Você não pode pedir uma informação que a maioria das pessoas não responde ou então vem com 10 pedras na mão. Estávamos caminhando e minha amiga queria comprar um vestido porque não estava se sentindo bem com a roupa que estava e como não estava nos nossos planos fazer compras, perguntamos para o taxista onde tinha uma lojinha, um shopping ou algo do tipo ali perto. A resposta dele: “loja tem em todo lugar, né”. Perdemos o café da manhã e perguntamos na recepção do hotel onde poderíamos tomar café da manhã ali perto. A resposta: na rua de trás. Pedimos, em outra ocasião, indicação de um restaurante bom nas redondezas. A resposta: na rua de trás. Onde tem um centro de estudos avançados sobre esquizofrenia? Na rua de trás. Tudo era na rua de trás. Era uma resposta automática! Eles falavam isso para tudo. E antes que alguém venha falar que eu era uma turista despreparada, já me adianto respondendo que dessa vez eu estava lá por causa do show. Fatalmente a gente acaba precisando fazer uma coisa ou outra que não está no planejado e não, não temos obrigação de saber tudo. Inclusive, eu sempre penso que por mais que eu vá para passear em algum lugar, ainda assim eu gosto de conversar com as pessoas, com a recepção do hotel, com taxistas e pedir informação, pois não existe ninguém melhor para indicar alguma coisa do que quem mora no lugar. Muitas vezes um morador local pode dar uma dica mega preciosa que não está nem nos melhores guias.

Tentando entender o porquê disso, começamos a conversar mais com as pessoas que tivemos contato. As pessoas de São Paulo mesmo eram super simpáticas e atenciosas, então notamos que a maioria dos que nos tratavam mal e estavam muito estressados não eram de São Paulo. Perguntamos de onde eles eram, há quanto tempo moravam em São Paulo e se gostavam da cidade. “Acostumei”, era o que a maioria respondia. A verdade é que as pessoas estão decepcionadas. Como eu, elas achavam que morar em São Paulo seria a melhor coisa de suas vidas, mas acontece que São Paulo não é uma cidade para qualquer um. Perder horas e horas no trânsito e aguentar aquele ritmo frenético de milhões de pessoas realmente não deve ser fácil.

De qualquer forma, acho uma pena que São Paulo tenha se tornado tão cheia de almas tão vazias, como disse o Criolo.

O que vocês acham? Mais alguém concorda comigo?

Comentários

comments

14 Comments on Não existe amor em SP

  1. Fernanda - Blog Preciso Viajar
    18 de dezembro de 2012 at 15:35 (5 anos ago)

    Putz, para mim só existe amor em SP. Ao contrário de você, eu acho que o atendimento lá é excelente e super rápido. Acho o atendimento em Curitiba horrível e acho que se tem uma cidade que não tem amor, essa cidade é Curitiba. Ainda sonho com o dia que morarei em São Paulo (com dinheiro é claro, porque morar lá ganhando pouco é triste). Eu amo São Paulo e esse ano tive a chance de ir várias vezes. Nos últimos anos, passei temporadas lá a trabalho e tenho uma impressão totalmente diferente. Para mim, as pessoas estão sempre correndo, mas sempre dispostas a dar informação (coisa que nunca acontece em Curitiba). Fora a gastronomia, amo o fato de escutar outras línguas no meio da rua, de ver gente do mundo inteiro e de ver o caos e a calmaria ao mesmo tempo. Sim, tem dessas em SP também. É só saber onde procurar. Resumindo – amo SP e acho que é a cidade mais interessante do Brasil.

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    • Mariana
      Mariana
      18 de dezembro de 2012 at 16:28 (5 anos ago)

      Sim, acho a mesma coisa de Curitiba, mas achei que seria muito polêmico fazer um post detonando a cidade que eu moro. Hehe.
      Só não concordo que SP seja a cidade mais interessante do Brasil, porque sou do time do Rio de Janeiro, mas ainda assim acho SP muito interessante, só que não para morar. Passear, ok. Morar só mesmo se eu fosse quadrilionária e tivesse um helicóptero.

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  2. Otavio
    21 de dezembro de 2012 at 11:19 (5 anos ago)

    Me identifiquei com o seu post, Mariana. A primeira vez que fui a São Paulo, com uns 18 ou 19 anos, achei tudo incrível, principalmente porque era fissurado em baladas e lá tem aos montes, mas quando comecei a ir a trabalho, tenho exatamente esta impressão: pessoas vazias no automático. É estranha essa sensação, mas eu não me identifico com as pessoas, e as acho muito individualistas também. Eu não quero ofender ninguém, até porque tenho amigos queridos de lá, mas não quero ter a vida deles. Dane-se as festas, as “grandes” oportunidades de trabalho, porque o que eu quero mesmo é ter um pouco de paz :)

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    • Mariana
      Mariana
      26 de dezembro de 2012 at 8:03 (5 anos ago)

      É exatamente isso, Otávio. Eu também não ligo para as grandes oportunidades de São Paulo. Eu só quero sossego. Por isso mesmo disse que São Paulo não é para qualquer um.
      Mas lógico, para quem se acostuma e gosta, deve ser ótimo.

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  3. Bárbara F. Ferreira
    8 de abril de 2013 at 18:15 (5 anos ago)

    Olha Mari, pode até ser que não exista amor em SP mas espero que haja atitude masculina… estou indo pra lá comemorar meu aniversário esta semana…pq balada aqui em Ctba não está dando…
    Eu com certeza não mararia em Sampa, mas gostaria muito de ter bastante grana pra ir pra lá sempre q enjoasse daqui… ;)

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    • Mariana
      Mariana
      9 de abril de 2013 at 8:29 (5 anos ago)

      Olha Barbara, eu nunca peguei balada em SP. Só fui a shows e bares, mas não tem como negar que lá existem muito mais opções.
      Boa sorte no teu aniversário por lá e depois conta pra gente como foi ;)

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  4. Milena
    23 de maio de 2014 at 20:54 (4 anos ago)

    Existe SIM amor em SP. Até achei estranho quando vi que você prefere o Rio e tal, por que lá sim eu acho horrível, onde você acaba esquecendo as bostas por conta das belas paisagens.

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    • Mariana
      Mariana
      26 de maio de 2014 at 13:32 (3 anos ago)

      Isso é muito relativo, Milena. Eu não esqueço dos problemas do Rio de Janeiro por causa da beleza da cidade, inclusive já falei algumas vezes sobre isso por aqui, mas sei que muita gente se deixa enganar por causa disso mesmo.
      E quanto a não existir amor em SP, a intenção não é levar ao pé da letra, é só um trocadilho com a música ;)

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  5. Gabi
    29 de maio de 2014 at 17:50 (3 anos ago)

    Engraçado… mudei pra SP tem 10 anos, e hoje só saio daqui para morar em poucas cidades do mundo. No Brasil, pra nenhuma (talvez o Rio, que me balança). Mas sempre achei as pessoas aqui muito solícitas, receptivas.. de fato, é muito frenético, meio loucura, mas se entrar no ritmo, é uma delícia. Eu sempre digo pros gringos (e vale pra qualquer turista, brasileiro também) que só vale a pena passear em SP se vc tiver alguém pra levar nos lugares certos. Andar a ermo, tentar achar qualidade na sorte não é fácil, e a chance de detestar é imensa. Enfim.. uma vez um taxista carioca disse algo que eu achei interessante, e acabei concordando: “o carioca te recebe feito o Cristo, de braços abertos, mas ele vai ficar sempre lá, de braços abertos, nunca vai te abraçar. O paulista não.. te recebe de cara desconfiada, mas a hora que te abrir os braços, ele te abraça e te leva pra casa. O carioca, no máximo, te chama pra ir a praia”. Haha..achei bem interessante.

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    • Mariana
      Mariana
      29 de maio de 2014 at 17:54 (3 anos ago)

      Que comentário gostoso de ler, Gabi.
      Eu acho que um dos problemas meu com São Paulo é um pouco disso também, sempre fiquei meio perdida e nunca conheci os lugares certos, provavelmente.
      E concordo com isso que você disse do carioca x paulista. Os paulistas mesmo são muito gente boa. Eu tenho essa teoria de que as pessoas mal humoradas são as que vieram de fora mesmo e ficaram frustradas porque esperavam outra coisa. E SP é isso mesmo, quem aprende o ritmo, aprende a gostar.

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      • Gabi
        30 de maio de 2014 at 9:43 (3 anos ago)

        Na próxima vez que vier me mandar um e-mail, eu te passo umas dicas dos lugares “certos”, e de quebra, dando certo, me junto pra uma cerveja!

        Responder
  6. Helena
    2 de janeiro de 2015 at 16:21 (3 anos ago)

    Fiquei apenas três dias em São Paulo e não foi suficiente pra nada. Fiquei meio desanimada, talvez porque não tenha ido aos lugares mais legais, é uma cidade cheia de cultura e acho que quando voltar preciso ficar muito mais tempo pra poder conhecer mais. Tenho amigos lá e todos são pessoas ótimas, assim como meus amigos cariocas, as melhores pessoas que tive oportunidade de conhecer. Espero que minha próxima visita me deixe mais encantada com a cidade, ninguém merece passar três dias no trânsito.

    PS ida e volta no aeroporto de Campinas, muitoooooooo longe!!! Perdi muito tempo com isso. Fazer o que, estava a trabalho.

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    • Mariana
      Mariana
      2 de janeiro de 2015 at 23:41 (3 anos ago)

      É Helena, acho que tanto eu quanto você precisamos de mais tempo para conhecer São Paulo com calma e explorar alguns cantinhos especiais para passar essa impressão de desânimo!
      Boa sorte para nós!

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