Eu não gosto de museu!

Pronto, falei. E agora que me sinto mais leve, explico.

Quando eu era pequena, eu achava que era obrigatório torcer para algum time de futebol, então como eu moro no Paraná, escolhi o Paraná, até mesmo porque era o único que eu sabia que era daqui exatamente por se chamar “Paraná”. Depois eu descobri que existiam outros e resolvi virar atleticana. Volta e meia as pessoas falavam para mim “teu time vai perder hoje” e eu respondia “vai nada! Vai ganhar de 3×1″, porém eu nem sabia que ia jogar, muito menos contra quem. Com o passar do tempo eu descobri que não era obrigatório torcer por um time e minha vida mudou. Hoje quando perguntam para qual time eu torço, eu simplesmente respondo que não aprecio futebol, mas quando tem copa do mundo eu falo de futebol usando até os jargões (ok, exagerei um pouco). Bom, você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com museu e viagem e eu digo que meu sentimento com os museus é exatamente o mesmo.

Londres foi meu primeiro destino internacional, minha primeira viagem no maior estilo turista. Londres é famosa pela quantidade de museus. Vale lembrar que a maioria dos museus não cobra entrada, apenas solicita uma doação, então não tinha como deixar passar os museus de Londres, afinal de contas, eu ficaria lá bastante tempo e eu achava que era obrigatório visitar museu em viagem.

A primeira experiência foi a The National Gallery.

Eu queria postergar ao máximo a ida aos museus, mas o dia estava chuvoso e me vi obrigada a dar início a tortura de uma vez. Logo que entrei, vesti minha cara de crítico de arte e comecei a perambular por aquele lugar enorme. Eu via quadro por quadro e lia o título e a descrição. Quando comecei a ficar tonta, desisti da descrição e passei a ver apenas os quadros e os títulos. Na sequencia desisti dos títulos e depois até mesmo dos quadros e, finalmente, me abri para o que eu gosto de verdade: arquitetura. Continuei a visita apenas olhando a arquitetura e quando eu via uma aglomeração em algum lugar eu parava para ver, porque certamente era um Picasso ou Matisse ou Van Gogh… e esses valem a pena serem vistos até por um leigo feito eu. Quando eu saí de lá eu tive a mesma sensação de quando parei de torcer pelo Atlético. Eu só precisava esperar pelas copas do mundo para ver o que realmente me interessa.

Para mim, o ponto alto de uma viagem sozinha é exatamente esse: não perder tempo com o que eu não gosto. Uma vez desisti da companhia de uns amigos hermanos porque eles ficaram uns 30 minutos só olhando chifres de veados e discutindo sobre a diferença entre eles. Enfim, essas coisas não são pra mim.

Eu gosto mesmo é de poder entrar no Museu de História Natural, no MoMA, no Museu Britânico, no Guggenheim ou em qualquer outro com um mapa na mão e procurar o que conheço, o que eu gosto e o que me interessa e depois de 40 minutos ir embora sem culpa por não ter olhado tudo.

Também gosto quando os museus tem interatividade. Porque que interatividade não é só para criança, não.

Mas se não tiver interatividade, vale a pena criar alguma outra forma de diversão.

E sabe, eu já conheci algumas pessoas que reclamaram do título de “museu” do Madame Tussaud’s, mas me diz: onde mais você vai ter o prazer de tirar uma foto ao lado de Albert Einstein? Ou fazer uma consulta com Freud?

O fato é que eu até gosto de museu e já visitei vários daqueles de perder horas e horas, tipo o do Salvador Dali, do Kafka, do Le Corbusier, o MAC de Niterói, o da BMW… mas é que para um museu realmente prender minha atenção, tem que ser algo que eu goste muito. Caso contrário, acabo apenas admirando a arquitetura.

Lógico que cada pessoa tem um propósito ao viajar e sei que muitos viajam para ver coisas em museus que não temos por aqui. O importante é que cada um direcione muito bem seus interesses em uma viagem. Da mesma forma, ninguém precisa se sentir obrigado a fazer compras só porque está em Miami ou a fumar maconha só porque está em Amsterdã.

;)

Mariana
MUDE – museu do design e da moda
Museu Franz Kafka
Museu Arqueológico de Napoli
Museu do Ouro
14
mai
Asian Civilisations Museum – Singapura

Nem sempre vale a pena perder tempo de viagem enfurnado em museu, mas não é o caso desse aqui. Todo mundo que perguntei, me falou desse museu, inclusive gente que nem é tão fã de arte assim.

Tínhamos tempo, tinhamos indicação e estávamos ali do lado, sem dúvida entramos para conhecer. O museu fica pertinho de Clarke Quay, dá para ir a pé, são uns 7,6 minutos de distância. Ele é bem grande, e como o próprio nome diz, as exposições são sobre as civilizações asiáticas, de Índia a China.

É tudo bem dividido, bem explicado e tem 1001 panfletos pra você ler melhor sobre cada ala. No começo já tem China e Indonésia. É tudo muito lindo e tem umas esculturas que você fica pensando “como é possível?”.

Quando fomos estava rolando uma exposição de tecidos estampados indianos. Nunca vejo vídeo em museu – acho meio chato – mas nessa expo tinha um bem rápido sobre como são as diversas técnicas utilizadas. É incrível, eles pintam alguns a mão, e nossa, as estampas são impressionantes. As fotos ficaram comprometidas porque tinha um vidro praticamente colado nos tecidos, e foi impossível desviar dos focos de luz.

Já pro final do trajeto, tem uma sala com jóias em ouro. Uma mais linda que a outra, quero todas pra mim!

O preço de entrada é de SG$ 8,00, cerca de R$ 10,00. Quando fomos pagar, nem perguntamos sobre desconto nem nada, mas a própria atendente disse que tinha desconto para família, e pagamos um pouco mais barato.

O museu fica aberto segunda das 13h às 19h e nos outros dias é das 9h às 19h. Na sexta feira ficam até às 21h e o preço cai pela metade se for a partir das 19h.

Anna
Roteiro – 3 dias em Singapura
British Museum
05
fev
Museums Quartier

Museums Quartier é um dos maiores espaços culturais do mundo. Localizado na capital austríaca, o complexo é formado por vários museus, lojas, bares, cafés e restaurantes.

mq1

Mesclando arquitetura barroca com contemporânea, o local abriga os espaços de exposições e museus mais famosos de Viena, como o Leopold Museum, o MUMOK, o Kunsthalle Wien, entre outros, mas eu não vim aqui para falar dos museus, por isso deixei o link deles e mais esse aqui do MQ para quem se interessar poder pesquisar com mais calma. Optei por não falar dos museus porque eu não visitei nenhum deles. Não sou fã de museu e normalmente vou só pra ver a arquitetura mesmo. Confesso que me arrependi de não ter dado uma passadinha rápida, já eu tive tempo de sobra pra fazer isso, mas é incrível como parece que quanto mais tempo eu tenho para ficar em uma cidade, mais eu relaxo nos passeios turísticos. Mas voltando ao Museums Quartier, eu vim aqui para falar do espaço em si e de como é possível gastar horas e horas lá sem nem sentir o tempo passar.

mq2

Pessoas circulam o dia todo no espaço de 60.000m² do MQ. Durante o dia os visitantes podem sentar nesses banquinhos espalhados por todo o espaço, mas conseguir um lugar ao sol é bem disputado, pois nos dias quentes as pessoas pensam que é praia e nos dias mais frios, procuram o sol pra se esquentar ou até mesmo tirar um cochilo no meio da tarde. Por que não?!

Nos dias mais quentes vale refrescar os pés na fonte e tomar sorvete. Não sugiro tomar cerveja porque a cerveja deles é quente para o padrão brasileiro, então beba de água ou coca-cola mesmo.

No fim de tarde, happy hour. Durante a noite e madrugada adentro, ponto de encontro antes da balada para fazer o famoso “esquenta”. E assim o MQ permanece sempre movimentado.

Aproveite várias horas do seu dia nesse espaço agradável e você não vai se arrepender.

Mariana
06
jan
Palazzo Reale – Milão

Sabe aqueles lugares que só o prédio já vale a pena a visita? É o caso desse museu em Milão. Ok que a cidade da moda não tem muitos pontos turísticos igual às outras cidades italianas, mas esse tem que ser visto.

Onde? Ao lado do Duomo, coração da cidade.

O prédio já é lindo do lado de fora com toda aquela pompa de palácio antigo, e por dentro ainda tem cômodos da época. Digo que são alguns cômodos porque tem uma parte para algumas exposições que é toda com paredes brancas, a maior cara de museu normal mesmo.

O mais legal é que quem for agora vai poder ver o Palazzo reformado (espero que em 4 anos tenham terminado), porque quando eu fui uma parte estava em reforma, inclusive era bem logo na entrada e estava uma confusão pra chega na bilheteria.

Falando em bilheteria, não é um museu barato. Cada exposição tem preços separados. As vezes eles juntam as expos e fazem um preço um pouco melhor, tipo um “combo museu”. Normalmente elas separadas custam 10/12 euros CADA. Meio pesado né?

Eu vi duas exposições que se vocês puderem ver em qualquer lugar do mundo, vejam: a de David Lachapelle e a da história da estilista Viviane Westwood. A do David era no mínimo gigasteca! Era foto que não acabava mais, e todas bem grandes. Uma delícia de ver, porque eu não curto aquelas exposições de fotos tamanho 10×15 que você tem que ficar bem perto conseguir enxergar algo. O cara é incrível e a exposição estava à altura!

A da Vivi (íntima) era bem menor, mas muito digna. Teve todo o lado dramático de ter sido feita nas salas antigas do Palazzo e pô, lindo né!?

Depois do trajeto tem o queeee??? Lojinhaaaa! Lá é tudo meio carinho, mas comprei uns postais de recordação… um deles com essa foto porquinha gracinha da Viviane.

* Não podia tirar foto lá dentro, então vocês vão ter que ir e ver com os próprios olhos! – jogada de marketing -

Anna
As baratinhas de Milão
Palazzo Pitti
Estudar em Milão
Milão: Museus
11
nov
Prazer, Le Corbusier!

Hoje eu vou falar para vocês de uma obra do nosso mestre Le Corbusier, um dos mais importantes arquitetos do século XX. Trata-se do Heidi Weber Museum, o ÚLTIMO edifício projetado pelo arquiteto e que foi finalizado apenas dois anos após sua morte. Localizado próximo ao Lago de Zurique, na Suíça, o edifício é uma atração por si só e o seu interior abriga um museu com desenhos dos mobiliários, esculturas, pinturas e escritos do arquiteto franco-suíço.

DSCN2516

Foi projetado inicialmente para ser uma casa e depois acabou virando museu/galeria. Olhando assim por fora, a impressão que eu tive era que era minúsculo, mas não é. A obra de Le Corbusier possui 3 pavimentos, sendo um deles subterrâneo. A estrutura formada basicamente de aço e vidro, dá uma leveza a obra e o colorido dos painéis se destacam em meio a vegetação, deixando tudo ainda mais bonito.

le corbusier1

Os painéis da fachada parecem muito os quadros do Mondrian, não?! Pesquisei um pouco sobre isso para saber se foi só coincidência ou não, mas não encontrei nada a respeito. Eu acredito que tenha sido proposital, mas realmente não sei. Se alguém souber, conta pra gente!

le corbusier

Na parte interna do museu, muita madeira e concreto aparente. Concreto aparente é aquela coisa que só fica linda quando é feita por um arquiteto de renome, porque, apesar de eu achar bonito, se eu colocasse na minha casa, certamente todo mundo ia falar mal. Hehehe. E é lá dentro que dá pra sentir bastante como os painéis de vidro integram o ambiente e deixam tudo confortável. Pelo menos no verão, pois no inverno não sei se seria tão confortável assim ver a neve lá fora.

Sem título

A sorte é que é permitido fotografar tudo lá dentro, então não economizei cliques para poder lembrar tudo depois.

le1

E como falei anteriormente, o projeto inicial era para ser uma casa, então tem até cozinha dentro do museu.

le

A porta que dá acesso a área externa possui ilustrações de Le Corbusier de ambos os lados.

DSCN2529

No pavimento subterrâneo, existem alguns trechos com teto de vidro saindo no meio do jardim, para entrada de iluminação no ambiente. Isso deve ser legal no inverno também, olhando pra cima e vendo uma camada de neve.

DSCN2550

Ainda, existe uma área externa acima do edifício que possui um teto suspenso e funciona mais ou menos como um terraço, só que coberto. Essa área é muito aconchegante e cheia de bancos e sofás para descansar. Para vocês terem uma ideia de como ambiente é agradável, eu dormi ali em cima. Sim, dormi! Sentei pra ficar admirando tudo, ouvi barulhos de passarinho, das árvores balançando e o vento batendo e zzzzzzzzzz.

DSCN2537
Não lembro o valor que paguei para entrar e no site oficial não diz, mas tenho certeza que não deve ser algo muito caro, se não eu lembraria.

E, infelizmente, o museu só fica aberto no verão, de julho a setembro (então não vai poder ver como é com neve :/), e apenas no período da tarde. O lado bom disso tudo é que depois de você visitar o museu ali, pode dar uma esticadinha no lago e fazer um passeio de barco, ou deitar na grama e fazer essas coisas todas de verão europeu em país sem praia.

Mariana
Prazer, Lomo [Graphy]
07
nov
Página 1 de 41234