Aposto todos os meus souvernirs de viagem que todo mundo já pegou um táxi clandestino na vida (mesmo que seja sem saber), principalmente no Rio de Janeiro.
Eu peguei um no Rio de Janeiro mesmo sabendo que era clandestino e lógico que foi uma situação #fail, mas deixa eu explicar.
Alguém aqui já tentou pegar um táxi na saída de show em estádio? Se você já tentou, deve saber do que eu estou falando. A tarefa é quase tão difícil quanto ganhar na mega sena. Quando eu fui ao show da Madonna, que foi no Maracanã, demorei 50 minutos para conseguir um táxi, então eu devia ter me preparado melhor para a minha segunda experiência em saída de show em estádio: Paul McCartney no Engenhão.

Acabou o show e começamos a busca pelo táxi desocupado. Por que não tentar os táxis ocupados com 1 ou 2 pessoas também?! Rola muito isso de dividir táxi no Rio de Janeiro, porque quase todo mundo sempre está indo para a Zona Sul ou para o Cristo ou o Pão de Açúcar ou qualquer outro lugar que você queira ir, mas naquele dia nós queríamos ir para o aeroporto Galeão. Não poderia existir pior destino aquela hora da madrugada. Nenhum táxi vazio, nenhum táxi indo pro mesmo destino e aquele congestionamento infernal.
Caminhamos muito e estávamos cada vez mais longe das redondezas do estádio em busca do nosso táxi. Da mesma forma, estávamos cada vez mais perto de alguns lugares tensos, afinal de contas, estamos falando da Zona Norte do Rio, um lugar não muito convidativo para um passeio na madrugada. Ao avistarmos um viaduto, decidimos que aquele seria o nosso limite, que caminharíamos apenas até lá e que se não encontrássemos um táxi, voltaríamos até o estádio.
Bom, exatamente embaixo do viaduto existia um táxi estacionado e o suposto taxista conversando com umas pessoas, digamos assim, estranhas. Eu não tive dúvidas que deveríamos retornar para o estádio, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa, as meninas já estavam eufóricas falando “um táxi livre, vamos!”. Eu até tentei dizer “não”, mas estávamos tão cansadas de caminhar o dia inteiro no Rio + show + caminhada pós show que resolvemos arriscar.
O carro era carcaça velha, caindo aos pedaços. O para-choque já estava meio torto, mas também fizemos vista grossa.
Quando entramos no táxi, a situação era pior: a maçaneta da minha porta estava quebrada e só abria por fora, aquele negócio de girar para abrir/fechar o vidro também não tinha na minha porta, tinha apenas um buraco indicando o local onde ele deveria estar. Minha janela estava aberta e não dava para fechar. Minha porta estava fechada e não dava para abrir, então pensei que, na pior das hipóteses, pelo menos eu poderia me jogar pela janela, foi isso que me deu forças para seguir com aquela loucura.
Deixa eu explicar o motivo de tanto drama: eu não costumo ter medo, porque eu penso que se eu tiver medo de cada coisa que falam do Rio de Janeiro, ou de qualquer lugar, eu ia alcançar um nível de paranoia tão avançado que não ia mais conseguir sair de casa, então eu sempre sigo com o pensamento que vai dar tudo certo, mas com um pé atrás, apenas por precaução. Só que nesse dia eu realmente fiquei com bastante medo e, apesar de tentar não demonstrar para o taxista, eu tenho certeza que ele percebeu.
Primeiro ele enfiou o carro embaixo do viaduto e logo fomos abordados por um cidadão.
- Poixx não?
- Posso corrtarrr caminho por aqui, mêrrmão?!
- É propriedade particular!
WTF? Propriedade particular embaixo do viaduto desde quando?! Os caras tinham cercado embaixo do viaduto e fechado e falaram que era propriedade particular!! Nessa hora já comecei a ver o filminho da minha vida, mas o taxista já foi se explicando:
- Quero fugir do congexxtionamento. Toma uma café aqui, mêrrrmão.
E nisso, ele se abaixou. Eu, bobinha e inocente, fiquei pensando “Que porra é essa de tomar café? Essa é a parte que todo mundo morre com um tiro na cabeça?!”
Daí ele levantou e deu umas moedinhas pro cara, que nos deixou passar. Foi aí que eu aprendi, na prática, a gíria carioca para suborno.
Mais pra frente, nos deparamos com um mega portão, ainda embaixo do viaduto, e dessa vez um outro cara, com o dobro do tamanho do primeiro, se aproximou e já pediu café também. Essa galera adora um café. Depois do nosso café colonial, seguimos, finalmente, para o aeroporto.
Comecei a ver alguns flashs do filme da minha vida novamente quando o taxista começou a entrar em umas ruas muito estranhas e muito escuras, daí perguntei pra ele que caminho era aquele. Firme na pergunta, mas me borrando por dentro. Ele respondeu que estava apenas desviando do congestionamento. Assim que pegamos a linha amarela, uma parte de plástico do carro, que fica logo acima da porta, descolou e ficou batendo da minha cabeça, mas tudo bem, o importante era chegar viva ao aeroporto.
Depois de aranhas, a coisa que eu mais tenho medo da minha vida é de velocidade. Eu tenho simplesmente pânico. Eu passo mal. E adivinha se o taxista estava correndo?! Já tendo absoluta certeza que o táxi estava acima dos 120km/h, inclinei o pescoço para verificar o velocímetro e o velocímetro estava marcando ZEROOOOOOO!!!!!!!!!!! Pedi para ele ir mais devagar e ele deve ter reduzido para uns -30km/h, mas nem verifiquei no velocímetro.
Bom, se hoje eu estou aqui contando essa história para vocês é porque eu sobrevivi, mas não sugiro que ninguém faça o mesmo. Foram os maiores momentos de tensão que eu já passei em uma viagem. Se precisarem de um táxi na saída de um estádio, esperem na fila enorme com 38934789 pessoas na sua frente para pegar um táxi credenciado, pois sua chance de sobreviver será bem maior.





























