Turismo animal – Orfanato de elefantes do Sri Lanka

Depois dos coalas e cangurus na Austrália e girafas e elefantes no Quênia, venho aqui mostrar outra experiência animal. Em uma estadia em Colombo, no Sri Lanka, fui visitar um outro orfanato de elefantes, o Pinnawala Elephant Orphanage. Fica cerca de uma hora e meia da capital Colombo, num trânsito que por si só é uma atração, em uma pista única onde qualquer tipo de ultrapassagem é permitida. No começo fiquei meio tensa, mas depois você até se sente segura nas mãos do motorista local.

O Sri Lanka tem muitas atrações com elefantes. Muita gente vai em lugares onde eles te deixam banhar e passear com eles, mas ouvi falar que eles judiam dos elefantes nesses lugares e resolvi visitar esse orfanato, considerado pelos locais um local mais sério e com mais respeito pelos animais. Eu sai de lá sem saber o que achar do lugar. Se é realmente um orfanato ou apenas uma desculpa pra ganhar dinheiro de turista. Os elefantes não são tão bem tratados ou levados a sério como no orfanato do Quênia. Achei eles bem tristonhos e me perturbava vê-los acorrentados, alguns até bem nervosos por estarem presos. No início achei que fosse normal e necessário, pois os animais são enormes e selvagens. Mas ao mesmo tempo, porque não deixa-los soltos na floresta então? Ou em uma área maior? Pra que deixa-los ali acorrentados num poste? Foi de partir o coração, ainda mais que muitos deles tinham lágrima nos olhos. Não sei se choram de tristeza ou se olhos lacrimejantes é algo normal deles.

Mas tirando essa parte questionável sobre a verdadeira intenção do orfanato, o passeio valeu muito a pena. Saímos do hotel bem cedinho para chegar logo no começo da manhã, que não é tão cheio e tem um horário (lá pelas 10:00 ou 11:00, não me lembro) que eles levam todos os elefantes até o rio para tomar banho. Esse é o ponto alto do lugar e simplesmente imperdível. Como nosso motorista sabia do esquema, programou tudo certinho.

Chegando lá fomos primeiro alimentar os elefantes “adolescentes”. Eu amo bicho, mas confesso que sou bem medrosa e fiquei com nojinho/medinho de colocar as frutas na boca dele, mas depois que vi que ele era brincalhão perdi o medo. Cada frutinha ou foto com cada elefante tinha sempre alguém cuidando e que pedia sua gorjeta no final. Bem irritante e exploração animal. Mas no meu estado de êxtase elefantíaco nem liguei pra isso.

Tinha também uns bebêzinhos recém chegados, que foram resgatados perdidos em uma plantação. Sem a ajuda do orfanato eles provavelmente morreriam sem a mãe e comida. Essa é a parte legal desses orfanatos. E olha que coisa mais fofa e peludinha um bebê elefante!

O lugar é bem grande, com vários espaços e áreas. Algumas com elefantes calmos, outras com os mais selvagens e agressivos. Esses ficavam ou soltos com um cara com um arpão do lado ou acorrentados a um poste. Vi também uma área na floresta, longe das pessoas, que foi o lugar que me pareceu mais adequado para eles. Eu perguntei por que eles ficavam presos e a resposta era que eles eram muito agressivos e não eram acostumados com humanos. Não sei como é o funcionamento geral do lugar, se fora do horário de visitação eles ficam soltos e felizes, ou se vivem sempre acorrentados. Espero que sejam livres para serem gordos e desengonçados, criaturas mágicas e encantadoras que são.

Área onde eles ficavam presos ao poste.

Elefantinho doente, tadinho :(

Esse elefante estava bem nervoso e ficava puxando a corrente tentando se soltar. Estava sozinho, acorrentado separadamente dos outros.

Área fora do alcance dos turistas, onde eles ficam livres e soltos.

O guia então nos levou lá pra um cantinho para mostrar O elefante. Eu fiquei simplesmente boquiaberta e impressionada com o tamanho dele. Parecia um mamute! Eles contaram que aquele elefante tinha cerca de 80 anos e que era cego dos dois olhos, pois levou tiro de caçadores.

Ai ele fala pra eu tirar foto com a criatura. Se eu já tive medinho com o elefantinho, imagina com um bicho daquele tamanho com um marfim que eu já imaginava perfurando minha barriga de um lado a outro! Primeiro foram as outras duas pessoas que estavam fazendo o passeio comigo e tiraram a foto tranquilamente com ele. Quando chegou minha vez eu estava tão nervosa e com tanto medo que quando me aproximei dele, mesmo cego e velhinho, ele sentiu meu medo e começou a bufar (não sei como chama o barulho que o elefante faz!). Eu voltei os cinco passos que tinha dado em direção a ele em um pulo só! Depois me acalmei, respirei fundo e voltei lá, posei pra foto e sai correndo!

Meu coração palpitando de tanto medo desse gigante!

A atração principal do orfanato é a hora do banho. Eles levam a manada toda para o rio e deixam eles lá soltos brincando na água. Mas esse rio não fica ali no orfanato. Tem que atravessar a rua e descer até lá, passando pelas lojinhas e tudo. Achei o máximo pararem o trânsito para os elefantes passarem! Eu fiquei encantada e hipnotizada ao ver tantos andando juntos, tão grandes, tão lindos e misteriosos.

E como todos tinham suas correntes ainda presas nas patas, o barulho das correntes sendo arrastadas fazia com que parecessem prisioneiros voltando do seu banho. O que de fato, eles não deixam de ser, não é? É triste pensar que eles são tão explorados na Ásia para turismo. Sempre pensamos na exploração do marfim, mas não sabia que eram escravos do turismo também. Esse lugar ainda respeita e preza pela conservação (apesar de estarem acorrentados, não vi nenhum machucado), mas quantos outros que maltratam, machucam e judiam deles sem dó só pro turista ir lá e subir neles para uma voltinha por 50 dólares. Meu sonho era andar de elefante, mas não sei se quero mais fazer isso depois de ver alguns vídeos e artigos falando dos maus tratos deles. Até que ponto sacrificamos a liberdade de um animal pra nossa satisfação e boas fotos?

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