Turista: Caraíva (win!) por Ligia Gabarra

Ontem a Ligia contou pra gente como foi o trajeto (praticamente um parto de tanto fail) até chegar nesse pedacinho de tropicália que é Caraíva. E como nem tudo são espinhos, hoje ela continua a saga falando das coisas boas que o lugar oferece aos bravos que sobrevivem à viagem. Ah, os louros da vitória!

“Apesar de não se tratar de uma ilha, só é possível chegar de barco, a energia elétrica só foi instalada há dois anos, a água é de fosso e a população é formada basicamente por índios e por um bando de gente que um dia disse “eu ainda largo tudo e abro uma pousada na Bahia”. Assim, Caraíva é um pequeno paraíso escondido, cheio cantinhos descolados onde é Possível tomar um brunch sofisticado ou dançar forró do mais tradicional.

Eu fui até a Bahia de carro, foi uma grande aventura, que pode ser conferida em CARAÍVA FAIL. Fiquei acomodada no Camping Sombra e Água Fresca, que faz muito jus ao nome. Escolher onde ficar em Caraíva não é uma tarefa fácil para uma pessoa como eu, internauta e burocrata de plantão. Preocupada com a possibilidade de lotação liguei para todos os 4 campings que achei telefone na Internet, ninguém me deu certeza de espaço ou mesmo a possibilidade de reserva, respiro fundo e tento entrar no clima da Bahia a maior parte deles me responde “Se preocupe não, a gente arruma um cantinho aqui”.

Por lá, descobrimos que o melhor esquema é chegar um pouquinho antes da temporada e descobrir as pousadas ou as casas para alugar, no boca a boca mesmo. Parece muito arriscado, mas são como as coisas acontecem, logo depois de cruzar o riozinho, chegando na cidade, os locais te abordam oferecendo onde ficar.

Depois disso, a vida é muito fácil, a paisagem é linda, o sol é intenso, o mar e o rio são maravilhosos e o ritmo do lugar eventualmente te prende. Não existe nem asfalto, nem terra batida, a areia fofa impõe uma certa vagarosidade em todo mundo. Já no segundo dia desisti do sapato, o mais confortável é sempre andar descalço, a Havaina só cai bem para não queimar o pé.

Ainda não disse que passei o Réveillon por lá, né? Todo mundo sabe que comida de camping não tem nenhum glamour: atum em lata, cup noodles e barrinha de cereal foram nossa dieta principal. Mas achamos que na hora da ceia devia rolar um pouco mais de empenho. Fizemos amigos no camping que se entusiasmaram com a idéia de um grande churrasco de ano novo. Foi até muito fino, compramos camarão e peixe, diretamente dos barquinhos de pescador que cercam a ilha e tínhamos no grupo um mestre churrasqueiro gaúcho, que acredite, negociou um cordeiro com os fazendeiros locais. Para acompanhar, Netuno, uma bebida à base de gengibre e caju, típica da região.

churrasco de réveillon

Na ponta da praia, onde o mar encontra o rio, existe uma série de quiosques comandados em geral pelos índios. Um deles serve pastel de arraia, certifique-se de que o pastel é frito na hora, eu mesma tive que encarar um pastel direto do isopor. Outro quiosque serve uma salada de frutas, que além de fresquíssima é gigante.

Os restaurantes da cidade também são muito especiais. O prato mais imperdível é uma sobremesa servida no restaurante vegetariano Cantinho da Duca, Nega Maluca é composta por: algo que parece mas não é um sorvete de canela e um quase brigadeiro de banana. A dona do restaurante não explica muito bem do que se trata, mas todo mundo que conhece, volta muito saudoso. O PF (prato feito) vegetariano de lá também é muito gostosinho, assim como a maior parte dos PFs da cidade.

Experimentamos também um dos restaurantes mais chiques de Caraíva, o Lagoa, não foi por curiosidade não, foi necessidade mesmo. É o único lugar por lá que aceita cartão de crédito. Calcule bem o quanto levar de dinheiro vivo e se puder leve um talão de cheque. O Lagoa tem um ambiente muito gostosinho, garçonetes bilíngües e massas competentes. Certamente, o melhor serviço da cidade, explico: não existe, em nenhum lugar de Caraíva, comida que demore menos de uma hora pra chegar. A dica é sentar em um cantinho gostoso com uma vista bonita e esperar… Ta com pressa? Volta pra São Paulo!

Por fim, a noite de Caraíva é bem agitada, pelo menos em alta temporada, quase toda noite tem forró. Cada noite ele acontece em um lugar, dica: o forró na praia é de graça, mas não é tão profissional como os pagos. As festas começam em geral a meia noite, tarde mesmo, e a entrada comprada com antecedência tem um bom desconto. Só queria enfatizar aqui que eu era completamente descrente desse tipo de atividade, até essa viagem. Me encantei com o forró, é uma dança muito íntima, mas muito respeitosa, a possibilidade de conhecer pessoas de uma forma tão diferente e entender ritmos e jeitinhos é muito gostoso. Para garotas é sempre muito mais fácil fique de olho na pista, observe os caras mais experientes e pode pedir “dança comigo? To aprendendo”. Em geral, todo mundo é muito paciente, e mulher só precisa seguir os pés do companheiro e marcar o ritmo. Acredito que para homem deve ser muito mais difícil. Pra quem não gosta de forró, tentou e não curtiu, Caraíva ainda tem um monte de bar, luais com muita musica brasileira e minhas amigas ainda conseguiram encontrar uma balada tocando rock, não sei bem onde foi, eu estava no forró.

Vou tentar terminar esse post com qualquer coisa que não soe papo mole de mais, aquela história de paraíso tropical, terra mística e encantamento infinito.

Quero muito voltar.

Trilha sonora da viagem – Transa – Caetano Veloso.”

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