Turista: Oktoberfest por Jorge Souza

Setembro chegou! E com ele, a Oktoberfest em Munique. Vamos começar o mês já em clima de festa.

Peraí! Oktoberfest?! Em September? É, isso mesmo. Em Munique a Oktoberfest começa em setembro. E quem vai contar aqui para nós sobre essa festa é o Jorge Souza, meu amigo da faculdade que já morou na minha querida, amada e idolatrada Alemanha. Ele fez o intercâmbio com a faculdade que eu sempre quis fazer e, de quebra, ainda aproveitou a Oktoberfest. Ai que inveja!

Então vamos ao relato:

“É setembro, mês em que se inicia uma das maiores festas do mundo, a Oktoberfest. Mas a original, de Munique. Aproximadamente 6 milhões de visitantes são atraídos a cada ano para a festa, que iniciou-se em 1810 como celebração do casamento do príncipe Luís I da Baviera com a princesa Teresa de Saxe-Hildburghausen. O evento acontece todo ano no mesmo local, o parque Theresienwiese, que tem seu nome em homenagem à princesa Teresa.

Como quase todo jovem que está na Alemanha durante os meses de setembro e outubro, queria muito ir ao evento. Eu morava no ano passado em Karlsruhe, uma cidade no estado de Baden-Württemberg, vizinho do estado natal – Baviera – da Oktoberfest. Portanto, não deveria ser tarefa muito difícil tentar uma viagem de última hora de 300 km junto com meus amigos brasileiros. Decidimos ir a Munique uns dois dias antes da viagem. Não tivemos muita opção de escolha da data, pois chegamos à Alemanha uns poucos dias antes do término da festa. Não tínhamos interesse em participar de dois dias de festa, portanto nem procuramos muitas maneiras de pernoite na cidade, o que sabíamos também que seria muito complicado e caro de encontrar, devido à proximidade da data da viagem.

A VIAGEM

Depois de termos decidido ir a Munique, fomos comprar as passagens de trem na Deutsche Bahn (Companhia de Transporte Ferroviário da Alemanha). Nossa idéia era gastar a menor quantia possível na ida e na volta (vida de estudante né hahaha). Nós estávamos em 6 e a alternativa mais barata era comprar o Schönes-Wochenende-Ticket (Passagem “Bom fim de semana”). É uma promoção que vale muito à pena na Alemanha para viagens à regiões próximas de onde você está e quando se está em grupo (até sozinho já compensa dependendo do local aonde se quer ir). Atualmente custa 39 euros no site da DB. Como é uma passagem válida para até 5 pessoas, sai 7,80 euros por pessoa. Para quem está disposto a gastar mais dinheiro não é uma promoção tão boa, já que existem muitas condições. A primeira delas é que essa passagem é válida durante um dia apenas, ou seja, se você for viajar num sábado pela manhã e for pegar um trem a partir da meia-noite de domingo na volta, terá que pagar outra passagem. Outro fator que faz essa passagem não ser tão boa é que não se pode tomar o ICE, o “trem-bala” da Alemanha, ou seja, a viagem pode demorar mais e ter mais baldeações.

Um componente do nosso grupo não foi e conseguimos comprar essa passagem para o dia 02/10, um sábado. Fizemos o trajeto com menos baldeações pela Deutsche Bahn. Saímos de Karlsruhe um pouco depois da meia-noite rumo a Stuttgart. Lá já começamos a ver as pessoas trajadas de acordo com a festa (Dirndl – vestido típido – para as mulheres e calção de couro, camisa, chapéu e suspensório para os homens) . Em Stuttgart aguardamos algo equivalente a meia hora e fomos rumo a Ulm. Lá passamos a pior parte de nossa viagem. Tivemos de esperar quase 4 horas pelo próximo trem que ia para Munique. Isso é um dos contras de se viajar com o Schönes. Dormimos no chão da estação de trem, assim como algumas outras pessoas que faziam o mesmo que nós. Dentro destes alguns brasileiros, também intercambistas, que moravam na França e estavam mais bem preparados que nosso grupo, pois tinham levado saco de dormir. Isso não é normal na Alemanha, mas na época da Oktoberfest, onde é necessário chegar cedo para conseguir lugar, torna todo esse cenário comum em várias estações de trem do Sul da Alemanha. No trem para Munique já sentíamos o clima de festa, pessoas carregando engradados de cerveja e menos fiscalização que o normal dentro dos trens.

Finalmente chegamos ao caos do terminal ferroviário de Munique, próximo das 8h da manhã. Muitas pessoas, em sua maioria vestindo os trajes típicos da Baviera.

Não sabíamos chegar ao parque da Wiesn (nome pelo qual também se chama a Oktoberfest), o Theresienwiese, mas foi muito simples. Foi só seguir o fluxo, pois a quantidade de gente é impressionante. Em vinte minutos de caminhada estávamos no parque. Os galpões abrem às 9h, porém às 8h30 já são imensas as filas na frente dos galpões.

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Nós conseguimos entrar num galpão, mas lugar pra sentar não havia de jeito nenhum. Algumas mesas são reservadas para o horário do almoço. É interessante notar que cada galpão é de uma marca diferente de cerveja. Os galpões mais famosos, pelo que ouvi falar, eram o Löwenbräu e Augustiner. Eu e meus amigos entramos no Augustiner. A cerveja é sem dúvida, a melhor que já tomei.

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Nada comparada com as cervejas brasileiras. Devido a um desconhecimento nosso, saímos do galpão, que é o lugar mais animado da festa, e não conseguimos voltar. Tivemos que ficar sentados num banco do lado de fora do galpão. O preço da cerveja na Oktoberfest não é tão agradável quanto ao ambiente festivo – 9 euros a caneca de 1 litro. As garçonetes atendem as pessoas num ritmo frenético e muitas vezes podem não ser tão simpáticas quanto se espera. A música tocada é a tradicional marchinha alemã. As pessoas são muito simpáticas e é muito fácil conversar com gente de todas as partes do mundo. Consigo me lembrar de indivíduos da Rússia, da Austrália, da Itália(os italianos comparacem a Oktoberfest em peso, tanto que um fim de semana é chamado de Das Italianer-Wochenende – O fim de semana italiano), Japão e brasileiros aos montes também.

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Há várias opções de comida, mas o preço também não é muito chamativo. Comemos um pão com salsicha picante(Feuerwurst mit Brot), mostada e ketchup, tradicionalíssimo prato da culinária alemã, barato (em torno de 5 euros) comparado com os outros pratos e rápido. Havia também Bretzel, um salgado barato (em torno de 3 euros) que lembra o gosto daquele salgadinho que é vendido no Brasil, da Elma Chips, o Stiksy.

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Há até um Parque de Diversões dentro do Theresienwiese onde é possível se divertir também. A Oktoberfest é uma festa para todos os gostos.

Devido ao nosso Schönes-Wochenende Ticket, tivemos de ir embora da festa às 17h. Os galpões só fecham às 22h30 da noite. Chegamos ao terminal ferroviário as 22h30 e tomamos o trem às 18h10, aproximadamente. Este era o último trem que podíamos pegar. Via-se toda a bagunça que a Wiesn pode provocar numa cidade dentro da estação. Muitas pessoas bêbadas e desorganização pouco vista na Alemanha. Nada que não possa ser visto no Brasil no carnaval e em outras festas. Depois de falta de lugar no primeiro trem e 2 horas em pé, fato incomum na Alemanha, tivemos de esperar por um trem extra em Stuttgart para chegarmos em Karlsruhe. O trem normal lotou de um jeito parecido com os ônibus no Brasil e muita gente ficou de fora. O jeito foi esperar o próximo, porém não tivemos de esperar muito. Se por um lado a desorganização nos trens foi grande, a rapidez para surgir um trem extra surpreendeu. Muitas pessoas reclamaram e em menos de 20 minutos surgiu um trem extra para Karlsruhe.

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Recomendo muito a Oktoberfest em Munique, considerei muito melhor que a brasileira em Blumenau. Com uma quantia a partir de 50 euros para gastar na festa já dá para se divertir muito, lembrando que a entrada no Theresienwiese é grátis”.

Deu até vontade de ir, né?!

Esse ano a Oktoberfest de Munique vai de 17 de setembro a 3 de outubro e o site oficial da festa é esse.

Mas se você não tiver a oportunidade de ir até Munique, pode sentir um pouco o gostinho dessa festa aqui em Blumenau mesmo.

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