Uma decepção: Budapeste

Esqueçam tudo o que vocês já ouviram falar sobre Budapeste. Hoje eu vim aqui para falar que a cidade que tem a fama de ser uma das cidades europeias mais bonitas não é tudo aquilo.

Mas antes que eu leve pedradas, explico: fui com muita expectativa. E normalmente é assim mesmo, quanto maior e expectativa, mais difícil de superá-la.

Na verdade, acho até que essa viagem poderia ser facilmente um post da categoria #fail. Tudo começou quando eu cheguei em Budapeste e estava desabando o mundo! Guarda-chuva não adiantava, pois chovia por todos os lados. Só o tempo de esperar o dilúvio passar já me fez perder a sexta-feira inteira. E eu ficaria na cidade até domingo.

Eu fui a Budapeste em uma dessas viagens com o pessoal da IAESTE e, não lembro se eu já comentei isso aqui, mas eu acho UM PORRE viajar com europeu. Em teoria, viajar com o povo do IAESTE é legal, pois você tem companhia e o roteiro definido e não precisa se preocupar com nada. Na prática, me arrependi de 3 das 4 viagens que fiz com eles. Antes tivesse ido sozinha

O albergue que eles reservaram para nós era um pulgueiro. Nunca senti tanto nojo. E olha que eu nem sou tão fresca assim, pois eu sei que viajando de galera assim eu não posso esperar o mesmo conforto de uma viagem em família, mas vejam e isso e me deem razão:

Depois do susto do hostel, saímos para pegar uma balada que, segundo eles, era ótima. Chegando lá, descobri que era um karaokê com a galera cantando em húngaro. Agora aqui entre nós: vem alguém pro Brasil e você vai levar no karaokê pra cantar “fazeeeer amoooor de madrugaaaada…”?! Pô! Isso foi muito sem noção. Pena que eu não estava bêbada o suficiente para pegar o microfone e cantar “csacsi nök, csacsi nök” do jeito que eu quisesse.

Tirando esses episódios #fail da viagem, vamos falar um pouco da cidade em si e do motivo da minha decepção. Todos me falaram que depois de conhecer Viena, Praga e Budapeste, é preciso eleger uma delas como a preferida. Por incrível que pareça, a maioria das respostas que ouvi diziam ter Budapeste como preferida, o que aumentou ainda mais minhas expectativas. Não há como negar que a arquitetura é realmente muito bonita, mas em meio a tanta beleza, eu conheci uma Budapeste suja, fedida, pichada e parcialmente abandonada. E não precisa nem sair muito do circuito turístico para começar a perceber essas coisas. Uma pichação assim no lugar onde todos param para tirar foto na frente do Parlamento não é algo que vemos nas “concorrentes” Viena e Praga.

O metrô é o segundo mais antigo da Europa (perde apenas para Londres), mas logo percebe-se que não foram feitos investimentos ao longo dos anos. Muitas estações sequer tem acesso a cadeirantes e tudo é muito velho e feio. Os vagões são todos arranhados e mal cuidados, mas acredito que isso seja culpa da população mesmo, que não cuida do patrimônio. Eu sei que aqui no Brasil as coisas são assim também, mas o que eu quero explicar é que eu não estava esperando ver essas coisas em “uma das mais lindas capitais europeias”.

De qualquer forma, tentei manter em mente que estava no Leste Europeu, mas Leste Europeu por Leste Europeu, Budapeste não chega nem aos pés de Praga.

Além disso, o povo húngaro é péssimo. Estão o tempo todo de cara feia e atendendo mal as pessoas. Eu penso que quem trabalha em locais turísticos como lojinhas de souvenir, restaurantes, bares e hotéis, deve estar sempre sorrindo e disposto a atender bem os clientes, mas não é o que acontece por lá. Ainda preciso reclamar que as lojas de souvenir são MUITO pobrinhas e o que eu trouxe de lá eu escondo. De tão feias que as coisas são. E foi em Budapeste que eu esperei mais tempo por um prato de comida na vida: duas horas e quarenta minutos. Quando a comida chegou, foi a maior festa!

E quer saber? Estava ruim!

Mas para compensar tantas reclamações, preciso dizer que foi em Budapeste que eu conheci o melhor curador de ressaca do universo: o banho termal! Eu fui ao Széchenyi e passei um dia inteiro lá. Muito bom mesmo. Ah, e se mais alguém que for para lá se decepcionar com a cidade, recomendo fazer um passeio de barco pelo Rio Danúbio, pois o passeio é tão gostoso que fez quase salvar toda a minha viagem #fail.

Talvez Budapeste não seja tão ruim assim. Talvez eu precise voltar um dia sem expectativas para poder entender porque essa cidade encanta todos que viajam para lá.

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