Um dia na Argélia

A Argélia passou por Curitiba e cativou não só os curitibanos, mas os brasileiros e até o mundo com o seu futebol. Eu tive a oportunidade de visitar Argel, sua capital, operando um voo de Dubai até lá. Não tinha ideia do que esperar do lugar até dar um Google rápido para ver o que tinha pra fazer. Fui alertada para tomar cuidado, pois já haviam casos de comissários que saíram para passear e tiveram suas câmeras roubadas. Pegamos um taxi no hotel e pedimos para ele nos levar nos pontos principais. Como estávamos em 4 (três meninas e um homem) fiquei mais tranquila. Principalmente por ter um homem junto, pois em países muçulmanos assim é meio tenso sair só mulher e principalmente sozinha. Só não tínhamos ninguém que falasse árabe ou francês, o que faria muita diferença, pois o taxista (e a maioria das pessoas) não falava nada de inglês, o que é ruim, pois não havia ninguém pra contar algo sobre os lugares que fomos.

A Argélia viveu por mais de dez anos com uma guerra civil que acabou em 2002 e também já teve muito problema com terrorismo. A destruição causada por tantos conflitos é percebida claramente na cidade, prédios bem mal conservados e em destroços, velhos. E confesso que nunca foi tão difícil arrancar um sorriso das pessoas. Eram todos sérios e com um olhar desconfiado. Mas a partir do momento em que eu falava que era brasileira a expressão deles mudava: primeiro a surpresa, já que não tenho a cara que imaginam de uma brasileira. E depois um sorriso maroto acompanhado de “Brasil, footbal!” Isso foi ano passado, certamente se fosse esse ano antes, durante ou depois da Copa acho que pulariam em mim! Antes de eu ir pra lá, um amigo francês comentou comigo que os argelinos são fanáticos por futebol e ainda brincou que eu deveria falar pra eles “One, two, three, Viva L ‘Algerie!”, que é o grito de torcida deles. De fato eles são fanáticos por futebol e conquistaram o Brasil e o mundo com essa paixão, não foi?

Argélia foi não só uma surpresa na copa, mas uma grande surpresa pra mim. Fiquei impressionada com as fortes características de sua arquitetura e cultura misturada com sua história influenciada pela dominância francesa. O país banhado pelo mediterrâneo ganhou sua independência da França em 1962 e no aniversário de 20 anos de independência construíram um monumento, o Maqam Echahid, em homenagem àqueles que morreram na guerra da independência. O monumento é representado por três pilares em forma de folha de palmeira e abriga uma chama eterna no centro.

Uma das principais atrações da cidade é a Notre Dame d’Afrique, que fica no topo de um morro e o caminho para chegar lá já é uma experiência cultural, passando por casas e ruelas antigas. A catedral foi inaugurada em 1872 e está em perfeito estado, após trabalhos de restauração. Para completar sua beleza, vem acompanhada de uma vista linda para a Baía de Argel. Além de uma imponente igreja, é um grande constraste em um país onde 97% são muçulmanos.

Visitei também o centro da cidade, conhecido como Kasbah, onde encontram-se ruínas da cidade antiga, com mesquitas e palácios que fazem parte do Patrimônio Mundial da UNESCO. Ali pude ver a vida dos argelinos e a concentração de gente e comércio. Foi ali também onde fiquei com um medinho de andar com minha câmera, pois os olhares suspeitos vinham de todos os cantos. Alguns foram simpáticos e deixaram eu tirar foto, outros pediram para eu apagar.

Dificilmente teria a oportunidade de conhecer um país de cultura tão forte e rica se não fosse pelo meu trabalho de comissária. E alguém aí, já foi pra lá?

Comentários

comments

1 Comment on Um dia na Argélia

  1. Ianê Arantes
    10 de dezembro de 2014 at 13:09 (3 anos ago)

    Leio seus posts, e fico cada vez mais apaixonada. Também quero ser comissária. Rs…
    Estou adorando seu jeito de escrever, e essas fotos *-*

    Responder

Leave a Reply