Subindo a montanha – Innsbruck

Era montanha, mas não tinha neve.

Eram os Alpes, mas não os suíços.

Era verão, mas estava frio.

Minha viagem a Innsbruck, capital do Tirol cercada por altas montanhas, começou com uma pesquisa na previsão do tempo. 26º C no auge do verão austríaco. No alto da montanha, algo em torno de 19-20º C, nada mal para uma curitibana acostumada com temperaturas assim. Arrisco até dizer que estaria calor para o que eu esperava no alto de uma montanha nos Alpes, mesmo que no verão.

Se no dia anterior à chegada em Innsbruck eu estava me refrescando de um calor escaldante no jogo de águas do Schloss Hellbrunn em Salzburgo, no dia seguinte eu estava em uma chuva de granizo a caminho da primeira (e única) cidade dedicada a prática de esqui que eu já visitei, mas como eu sempre digo, nem mesmo a chuva deve desanimar um viajante.

No primeiro dia passeamos explorando todo o charme e receptividade da cidade. Se não fosse pela arquitetura e pelo idioma, nem parecia que eu estava na Áustria, pois o povo lá é bem diferente dos vienenses.

Innsbruck

Innsbruck já sediou os Jogos Olímpicos de inverno duas vezes, então as montanhas são, de fato, os principais atrativos da cidade e eu cheguei lá esperando dar de cara com essa vista típica com os picos das montanhas cobertos de neve, coisa que é possível ver até mesmo no verão.

(Fonte: Google images)

Porém, chegando lá minha vista era um pouco diferente.

Innsbruck

O importante é não desanimar e esperar um pouco, afinal de contas, você pode procurar algum outro canto da cidade que não tenham tantas nuvens atrapalhando a visão e, ao longo do dia, o tempo pode abrir. Ou não.

Innsbruck

Mas como não tínhamos o dia todo para esperar o tempo abrir, o jeito foi subir a montanha com o tempo feio mesmo. A princípio, queríamos subir caminhando, mas os 26º C prometidos pela previsão do tempo não foram cumpridos e nós não estávamos preparadas para o frio de 16º C que estava fazendo e resolvemos subir de Hungerburgbahn, um trenzinho que leva os turistas sedentários até Hungerburg e depois de teleférico que leva aos outros dois pontos do parque Nordkette: Seegrube e Hafelekar.

(Fonte: Piste Maps)

A subida até o topo custa 27€, mas quando fomos a estação Hafelekar estava fechada devido ao mau tempo, então pagamos 24,30€ para ir até Seegrube, a 2.100 m de altitude. Para quem gosta de arquitetura, vale citar aqui que as estações do Nordkette foram projetadas pela Zaha Hadid, que usou como inspiração a formação natural do gelo.

Innsbruck

A primeira parada é em Hungerburg, a 880 m, onde é possível ver a cidade do alto. Ali já estava bem frio e ventando bastante, então tiramos umas fotos rapidinho e voltamos correndo para pegar o teleférico para a estação Seegrube.

Innsbruck

A partir dali a subida foi mais interessante e, apesar do tempo fechado e quantidade de nuvens, vi algumas coisas bem característica das montanhas que eu tanto queria ver, como as estradas, as pessoas caminhando com os bastões de trekking e, é lógico, aqueles pinheiros bem altos, finos e pontiagudos.

Innsbruck

Para a minha tristeza, quando chegamos na estação Seegrube estava fazendo 7º C e eu, pessoa friorenta que sou e que estava usando apenas uma jaquetinha de linho curta sobre uma blusinha frente única, só tive coragem de sair rapidinho para ir até um barracão onde tocaria uma banda, mas lá dentro também estava frio, então acabei voltando para o restaurante onde tinha calefação e passei o resto dia comendo e olhando as nuvens, porque a cidade mesmo que eu queria ver lá do alto, também não teve jeito, mas as minhas amigas, corajosas, não só encararam o frio para tirar umas fotos na área externa como também fizeram tirolesa. Eu queria muito ter feito uma tirolesa em uma montanha no Tirol, mas não teve jeito, eu realmente estava com muito frio, imagina então com um vento extra de uma tirolesa.

Innsbruck

No final das contas, esse passeio foi quase um episódio #fail, porque teve chuva, frio, nuvem e estação fechada, mas mesmo assim valeu a pena. Em todo caso, fica a sugestão de levar uma roupa bem quentinha para quem pretende visitar o local mesmo no verão, pois nunca se sabe o que pode acontecer com o tempo.
E deixo aqui registrado que preciso voltar. Talvez não para Innsbruck, mas para visitar alguma outra montanha, só que da próxima vez no inverno com neve e tudo o que eu tenho direito.

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