Turista: voo de asa delta por Gabriela Seimetz

Se alguém me falasse que a nossa turista de hoje pularia de asa delta algum dia, certamente eu não acreditaria. Eu conheço a Gabriela Seimetz há bastante tempo já. E para quem costumava matar as aulas de educação física junto comigo para não fazer salto em distância, acho que esse foi um salto e tanto.

Preciso dizer que quase morri de inveja quando vi as fotos. Eu, que costumava ser muito mais “radical” do que a Gabriela, já tentei fazer isso diversas vezes, mas sempre tive um desculpa na ponta da língua para não fazer o voo. A primeira foi porque choveu, e nessa desculpa até eu acreditei, pois de fato choveu. Depois não deu tempo, não tinha dinheiro, um amigo desencorajou, aconteceram acidentes, li sobre acidentes e por aí foi… o problema é que minhas desculpas estão se esgotando e de duas uma: ou eu assumo que estou com medo ou pulo de uma vez. Mas enquanto minha próxima viagem ao Rio não chega para descobrirmos se eu vou ter coragem de pular ou não, vamos ler o relato de uma corajosa:

“Eu sempre tive o sonho de conhecer o Rio de Janeiro, já amava aquele lugar ‘de graça’, sem nem mesmo conhecer… E agora que conheço amo mais ainda, algo inexplicável. Enfim, acompanhado desse sonho eu sempre quis voar de asa delta. Mas era uma coisa que eu só pensava, até porque não imaginava ir ao Rio tão cedo. No entanto, fui pega de surpresa quando fui comunicada de que iria apresentar um trabalho em um congresso lá, pelo programa em que sou bolsista na faculdade.

Então começaram os preparativos da viagem. Tive que conciliar os horários do congresso e os horários livres para conhecer os principais pontos turísticos da cidade. E claro, comecei a pesquisar MUITO sobre o voo de asa delta. Essa é a primeira e principal dica que dou: leia, se informe, pesquise muito. Existem pessoas não confiáveis por aí, querendo realizar os voos somente pelo dinheiro e acabam negligenciando um fator primordial: a segurança. Por essas e outras acredito que aconteçam os acidentes que a gente ouve/vê na mídia. Como qualquer outro esporte, o voo de asa delta tem riscos sim, mas você deve procurar um profissional credenciado, competente, sério, responsável e que se preocupa com a sua segurança e a dele também é claro (isso inclui vistoria constante dos equipamentos, voo em condições de tempo adequadas etc).

Então vamos falar um pouco sobre como funciona:

O voo duplo de asa delta é considerado um voo de instrução ou “voo de batismo” para que você seja apresentado ao esporte. Portanto, você será um “aluno”, e deverá assinar um termo de responsabilidade assumindo que está ciente dos riscos inerentes ao esporte e também associar-se em caráter temporário ao Clube de Voo Livre local. É necessário pagar uma taxa de matrícula de R$20,00 nesse momento.

Os voos de instrução são realizados diariamente (desde que haja condições climáticas favoráveis) com decolagens na rampa da Pedra Bonita em São Conrado (dentro da área do Parque Nacional da Tijuca) e pouso na Praia do Pepino, durando em média de 6 a 20 minutos, dependendo das condições do tempo. Por determinação da ANAC, a idade mínima para o voo é de 16 anos. Não é permitido para grávidas. Menores de idade (16 a 18 anos) só poderão se matricular mediante autorização dos pais ou representantes legais. Para pessoas com peso acima de 90 kg é sugerido o voo de parapente, onde o voo é mais estável.

Minha experiência:

Após me informar muito, olhar milhares de fotos e vídeos na internet escolhi meu instrutor. Uma pessoa muito competente, séria e que me passou uma segurança incrível desde os contatos pela internet (ele atua há mais ou menos 18 anos e possui vários títulos no esporte, o cara é fera e muito simpático!!). Chegaria ao RJ no sábado (05/05/2012) e queria realizar o voo no domingo de manhã, pois seria praticamente o único período livre que eu teria para isso. Agendei com ele por e-mail antecipadamente e ele disse que me ligaria no sábado á noite para confirmar se seria possível fazer o voo no domingo, pois como eu já disse tudo depende das condições do tempo. Claro que a pessoa aqui entrava na internet todos os dias pra ver a previsão, a direção dos ventos etc etc. hahahahaha…

Para a minha felicidade, no sábado á noite ele confirmou meu voo! J Marcamos de nos encontrar ás 8h na praia de São Conrado.

Chegando lá, fui com ele no Clube São Conrado de Voo Livre para me associar e assinar os termos de compromisso. Nesse momento, como já falei, deve-se pagar a taxa de R$ 20,00. Você recebe uma carteirinha do clube e um ticket que deverá ser entregue ao fiscal lá em cima.

Tudo certo, o próximo passo é pegar o carro e subir o morro. Fomos eu, minhas duas amigas, meu instrutor e o ajudante dele. Posso dizer que o ÚNICO momento em que senti um frio na barriga foi na hora de subir o tal morro da Pedra Bonita. Sim, estávamos de carro, mas gente o negócio é inclinado pra caramba e não parava nunca de subir… hahahaha por um momento gelei. Minha amiga estava com as mãos geladas só de ouvir ele me passando as instruções ainda no carro. Quem via pensava que era ela quem faria o voo kkkkkk… Enfim, chegamos ao estacionamento e tivemos que andar um pedaço a pé até o topo do morro.

Lá em cima ele falou: “Vai lá olhar a rampa Gabi”… Uii! Pensei: “agora lascou”! Mas a vista é liiiinda, o dia tava muito bonito também… tudo colaborou, foi bem tranquilo.

O nosso seria o primeiro voo do dia, por isso quando chegamos lá quase não tinha ninguém. Então pra começar temos que entregar o ticket para o fiscal e assinar a folha de controle deles. Depois colocamos o equipamento que vocês podem ver melhor nas fotos e iniciamos um básico e rápido treinamento da corrida. O instrutor mostra tudo certinho onde você tem que segurar e no geral as duas principais regras do voo são:

– Correr, NUNCA parar de correr na rampa (se você fizer isso provavelmente acontecerá um acidente);

– Não encostar nas barras, é sempre ele que guia a asa delta. Tem instrutores que até permitem você guiar por um momento, mas eu não fiz isso.

Bom, tudo pronto. Ele liga a câmera de vídeo e a câmera de foto que fica conectada na ponta da asa. Conecta vocês dois na asa, conecta você com ele e ele com você. Vocês dois ficam duplamente conectados. Aí vem a parte da rampa: você anda um pouco, para, se prepara e depois é só correr… correr… sempre olhando para frente, nunca para baixo! Foi tudo muito rápido. Na hora em que você sai da rampa dá uma sensação INEXPLICÁVEL, maravilhosa, a vista é linda, a emoção é gigante! Gente é tudoooo de bom, é a melhor coisa que já fiz na minha vida!!!!

O lado bom de voar logo no início da viagem é que se as condições do tempo não estiverem favoráveis, você tem outros dias disponíveis para ir. O lado ruim de voar logo no início da viagem é que tudo o que você faz depois se torna “sem graça”, se é que me entendem. Conhecer o Cristo, o Pão de Açúcar e todos os outros pontos turísticos do Rio foi incrível, mas a emoção de voar de asa delta é INCOMPARÁVEL.

Tá, continuando. O próximo passo é a preparação para o pouso. Nessa hora dá uma certa ansiedade, ele acelera um pouco para pousar mas ok. Finalizado o pouso na praia do pepino, voltamos para o ponto de encontro na frente do Clube São Conrado. Lá encontrei minhas amigas, meu instrutor me passou as fotos e vídeos em um CD e fiz o pagamento. O valor do voo com ele é 200,00; se quiser com fotos e vídeos fica 300,00. Eu acho que compensa pegar as fotos e o vídeo, porque é um momento único que você pode guardar para sempre. Esse valor pode variar, dependendo do instrutor e da época do ano. Eu fui em baixa temporada, então o valor tende a ser menor. Tem hotéis e agências de turismo que oferecem um “mediador” e é óbvio que você acaba pagando mais por isso. O melhor mesmo é você fazer contato direto com o instrutor.

Sobre o fator MEDO posso dizer o seguinte: gente, eu não sou uma pessoa que gosta de esportes radicais, aventuras e afins, nunca tinha feito nada parecido e por vezes tive medo de altura. Mas pra mim foi tranquilo, eu sabia que tinha riscos, que poderia acontecer um acidente, que era perigoso, mas eu não fixei meu pensamento nisso porque senão eu não iria. E eu acredito muito naquela lei da atração: você atrai o que pensa… hehehehe… Então pensei o tempo todo e tive a certeza dentro de mim de que nada de ruim aconteceria e nesse momento meu instrutor foi fundamental, me passou muita segurança. Os acidentes que acontecem são raros e geralmente são decorrentes de falha humana, por isso é preciso prestar bem atenção na escolha do instrutor. Também posso dizer que senti mais medo e frio na barriga de olhar as fotos e vídeos antes pela internet do que lá em cima na rampa da Pedra Bonita. Senti uma paz e uma tranquilidade quase que inexplicáveis. A dica que dou é a mesma que eu fiz: não pense muito, vai lá e faz! Se você começar a pensar em todas as coisas ruins que podem acontecer, no medo que você vai sentir, na possibilidade de desistir na hora H, você com certeza não vai voar ! ! !

Resumindo: foi maravilhosooooo! Super recomendado!

Desculpas pelo mega texto, mas a Mari me conhece e sabe que sempre escrevi muuuuito hahahaha…

‘Uma vez que você tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus olhos voltados para céu, pois lá você esteve e para lá você desejará voltar’.

Leonardo da Vinci”

Acho que para uma entusiasta da Cidade Maravilhosa, não poderia existir melhor maneira de começar a explorar o Rio de Janeiro, mas caso você seja uma pessoa medrosa mais cautelosa feito eu, sugiro um passeio de helicóptero. Lógico que a emoção nem se compara, mas o que não pode é deixar de ver essa cidade tão linda lá do alto.

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